DESENHO ALÉM DA TÉCNICA: PARA UMA EPISTEMOLOGIA DO ARTESANAL

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NICOLAS SAMORÌ, “Acquario” | 2013, óleo sobre tela (200x150cm)

O Desenho é uma prática que se confunde à história das civilizações, dado a extensão histórica e geográfica de sua expressão. Sua abrangência impõe uma compreensão associada à própria organização societal, devendo-se incorporar em sua interpretação um viés filosófico para além da mecânica da técnica. A natureza criativa desta atividade e a complexidade das operações de síntese que a compõem (formais e conceituais) impedem que seja reduzida a um mero debate de materiais. No presente texto apresentamos algumas elaborações que podem servir de premissas para uma enunciação epistemológica dos limites e prerrogativas dessa artesania que instrumentalizou o imaginário humano desde tempos imemoriais. Continuar lendo DESENHO ALÉM DA TÉCNICA: PARA UMA EPISTEMOLOGIA DO ARTESANAL

Qual o sentido do desenho de Retrato?

Parte do conteúdo teórico a ser ministrado no Workshop “Desenho de Retrato” (Porto Alegre| 14, 15 e 16 de Dezembro | 2016) Mais informações aqui!

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RICHARD MORRIS, Sem título 2 | carvão sobre papel, 2014

Ao desenho de Retrato se atribui de antemão uma dificuldade natural. A primeira tarefa do desenhista que se ocupa deste gênero é, portanto, desmistificar essa crença compreendendo precisamente em que consiste essa dificuldade. As causas são de ordem tanto plástica (formal), quanto simbólica (conceitual). As primeiras dizem respeito à bem conhecida dificuldade do “detalhe”. Desenhar detalhes é difícil porque são partes que vemos menos – as soluções de síntese tornam-se assim muito obtusas. Noutros termos: a abstração intrínseca às soluções formais é maior. Por exemplo, por que nunca ficamos bem em retratos 3×4; por que sequer se parecem conosco? Justamente porque em retratos muito pequenos a síntese realizada é muito extrema e faz com que tenhamos que eliminar vários elementos da face. Continuar lendo Qual o sentido do desenho de Retrato?

REFERÊNCIAS AO DESENHO DA FIGURA

 

166057_4267881059442_1101729581_nO artista e crítico francês André Lhote diz que “a beleza do corpo está nas articulações”. Diz mais, ao afirmar que a supremacia dos artistas renascentistas em relação aos góticos do período anterior reside no conhecimento que aqueles possuíam de artrologia – ciência que estuda a forma com que os ossos se articulam uns aos outros.

É sabido que não basta conhecer as partes constituintes do tecido esquelético para se desenhar bem a figura. O diferencial necessário está na capacidade de o artista projetar o movimento em seu modelo – que no corpo é resultado da forma específica de suas articulações. São elas que possibilitam os movimentos que a musculatura irá operar no esqueleto.

A Anatomia Artística é um método cada vez mais presente no ensino do desenho – aliás, sua presença de fato retorna de um passado longínquo, que no Brasil teria encerrado suas atividades por volta de 1970. Ela, porém nunca foi abandonada de todo, e é capaz de mediar ainda o conhecimento que hoje se tem da figura. Constando como disciplina da grade normal no magistério brasileiro desde 1947, até recentemente era visto em alguns currículos de graduação em Artes, ainda que apenas pro forma. Seu ensino efetivamente direcionado à arte é ainda raro no Brasil, mas no exterior faz parte regular dos conteúdos práticos do artista.

Atualizamos diversas referências de Anatomia Artística a fim de auxiliar o desenhista iniciante. No seguinte link oferecemos dezenas de sites relacionadas ao desenho do Corpo – guias de desenho da figura e manuais de Anatomia, centenas de imagens de modelos em alta resolução, e links diversos – tudo para download. Segue ainda uma lista de artistas que atualmente trabalham com a “representação realista” do corpo, com uma sessão especial dedicada à arte brasileira contemporânea:

http://wp.me/p4ZVe4-12

Anatomia e Figura Humana, Oficina semestral, 2016, II

O Desenho e o Real (esboços)

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ALEJANDRO GARCIA RESTREPO | grafite sobre papel

Desenho é síntese: transmutação da substância inerte dos materiais expressivos em “signos”, e consequente apropriação dos elementos sígnicos em linguagem visual. O modo como ele opera passa pela reconstituição da impressão sensível, recriando as coordenadas da experiência visória. Para desenhar é, portanto, necessário criar – não a identificação (mera similitude entre desenho e coisa desenhada), mas a estesia sentida na apreciação estética do mundo. É por essa via que o desenho realiza sua destinação mais profunda: a geração de sentido.

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DESENHO ANATÔMICO: O CORPO DESVENDADO

GERAR DE LAIRESSE | Ilustração para o Tratado de Bodloo “Medicinae Doctoris & Chirurgi, Anatomia Hvmani Corporis” (1685)
GERAR DE LAIRESSE | Ilustração para o Tratado de Bodloo “Medicinae Doctoris & Chirurgi, Anatomia Hvmani Corporis” (1685)

Sem saber não é possível enxergar. Até que eu indique ao aprendiz a “luz refletida” dentro da “sombra própria” de um objeto, ele não a percebe; até que conheça a existência da clavícula no retrato de perfil, o desenhista não a vê. É necessário saber, conhecer as formas para que a visão se habilite… Depois disso, é necessário esquecer o que se sabe, para enfim desenhar. Continuar lendo DESENHO ANATÔMICO: O CORPO DESVENDADO

O Desenho como Síntese

ANDREW WYETH, sketch for the painting
ANDREW WYETH, sketch for the painting “Barracoon” (1976) | lápis sobre papel

Parte do conteúdo a ser ministrado na Oficina
“FIGURA CONTEMPORÂNEA:  Desenho & Modelo vivo” (Curitiba | 12, 13 e 14 de Maio | 2016)

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Site dedicado à articulação de artistas realistas contemporâneos e plataforma de referências para produção e reflexão sobre Desenho e Pintura

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