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[PROCESSOS POÉTICOS] SÉTIMA AULA | MODERNO/PÓS/MODERNO: NOS LIMITES DA ARTE

Este é o último conteúdo teórico do Curso PROCESSOS POÉTICOS, que encerra dia 28/06 com apresentação dos trabalhos práticos desenvolvidos pelos participantes. Reservas para segunda edição (prevista para Agosto de 2021) através do contato no site!

LENNART NILSON, 1965 (primeira fotografia da vida intrauterina de um feto)

A década de 1960 relativizou a dimensão humana em todos os sentidos – talvez tanto quanto o heliocentrismo (teoria que Copérnico publicou em 1543, mais tarde ratificada por Galileu), que retirou a Terra de sua imutabilidade e a fez girar em torno de um sol fixo, junto a bilhões de outros astros. Nos anos 60, viu-se pela primeira vez, as fotos da Terra tiradas pelos astronautas da Apolo 11 (capa do artigo); e também as fotos da vida intrauterina, capturadas por Lennart Nilsson.

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[PROCESSOS POÉTICOS] SEXTA AULA | Síntese e representações

O problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história.

CHIMAMANDA ADICHIE
PHIL HALE “Interpreter” 2008 | óleo sobre tela

O que se costuma chamar de “representação” em arte não é, senão síntese: produto de escolhas deliberadas. A condição representacional é justamente a da não-representação; ou seja, a condição de um objeto ser representado é a de não emular o real. Ao contrário do sentido redutor de mímesis (onde a “semelhança” com um referente é projetada pelo observador), a figuração realista – e isso se poderia dizer de toda forma artística, se constitui de uma “alteração” da realidade com o fim de torná-la verossímil, assimilável. É assim que a arte emula as condições de experiência do sujeito (não a experiência da coisa em si). A percepção opera por meio de uma seleção anamórfica (imaginária) de identificações que destituem o “real” de sua verdade, registrando-o simbolicamente a fim de se apropriar dele; é nesse registro, porém, que o perde para sempre. O filósofo Baudrillard resumiu bem isso: “Criar uma imagem consiste em ir retirando do objeto todas as suas dimensões, uma a uma: o peso, o relevo, o perfume, a profundidade, o tempo, a continuidade e, é claro, o sentido.”

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[PROCESSOS POÉTICOS] QUINTA AULA | O ato poético

Falamos de um Je e de um moi; agora é a vez das noções de Eu ideal e Ideal de Eu. Ambas figuras desenvolvidas por Freud– fundamentais ao ato poético no tocante ao sujeito que o experiencia e à dimensão conceitual (o quê fazer), essas são posições do sujeito instituídas em função da imagem.

GUSTAVOT DIAS, “Selfie portrait”, 2018 | carvão e pastel sobre Mi-Teintes (66x50cm)

Eu ideal x Ideal do Eu

O Eu ideal corresponde a uma forma do Narcisismo – um lugar ajustado ao desejo e à expectativa dos pais e da sociedade; em outros termos, àquilo tudo que o “outro espera de nós”. Instância imaginária onde a divisão que existe entre o que eu “sinto ser” e a “imagem do que sou” desaparece, e onde nos identificamos completamente com as projeções alheias, respondendo ao que o outro espera, no Eu ideal somos objeto que satisfaz a expectativa de alguém (função à qual recorremos na esperança de agradar e fazer cessar a angústia).Já o Ideal do eu (instância do Complexo de Édipo) corresponde a uma superação simbólica do narcisismo primário do Eu ideal – quando já a criança percebe que não é amada pelo que é em si mesma, mas por algum outro valor.  O Ideal do eu representa aquilo que se deseja no desejo; remete ao que se deve “querer tornar-se”. Ou seja: a busca de um ideal que autorize meu próprio desejo. Sua enunciação se daria através de perguntas como – o que serei e como devo ser?, em que lugar subjetivo devo estar? que faço a fim de poder desejar aquilo com que me identifico? Aqui é onde o desejado passa a ser desejante. O Ideal do eu permite a substituição das projeções sobre nossas figuras parentais – de seres superiores e onipotentes, tornam-se então humanos como os demais, e o campo de desejo é substituído por outras instâncias que os representam: professores, mestres, sujeitos sociais que admiramos, etc. A partir dele montamos os ideais reguladores de nosso horizonte ético. Ele permanecerá, no entanto, sempre no futuro do pretérito, indicando um caminho que não será jamais alcançado.

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[PROCESSOS POÉTICOS] QUARTA AULA | Poéticas da Figuração Contemporânea

Apresentamos aqui uma hipótese de interpretação da Figuração Contemporânea, buscando afastá-la da vacuidade do conceito genérico de “pintura contemporânea”. Acreditamos estar em curso um movimento que, pela densidade, quantidade e abrangência, pode vir a definir um momento histórico sui generis. Para outros desenvolvimentos, clique aqui.

ALEX KANEVSKY, “J.W.I. in Her Room”, 2015 |
óleo sobre tela (48′ x 44″)

Levantamos até agora, no curso Processos Poéticos um espectro de conteúdos acerca da experiência – desde o momento em que é estruturada pela perspectiva (método de “representação” instaurador das coordenadas que possibilitaram o sujeito da experiência na arte), até seu uso político-ideológico (com o exemplo maior do programa de política cultural empreendida pela CIA nas décadas de 50/60 em todo o Ocidente). Tudo isso a fim de dialeticamente compreender o sentido da Figuração Contemporânea, uma vez que ela não é representacional. Propomos pensar tal produção como parte de um processo de continuidade com a Arte Moderna, ou seja, como mais um fruto do rompimento com a concepção tradicional que teve início em fins do século XIX.

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[PROCESSOS POÉTICOS] TERCEIRA AULA | As dimensões da imagem

A imagem como constitutiva de processos de subjetivação. Coordenadas simbólicas da experiência. A imagem e o simbólico: breve apresentação dos três registros na psicanálise de Jacques Lacan. A imagem como instituidora de afetos. Por que a Psicanálise hoje representa tantas implicações para a arte e o fazer artístico?

CAROLINE WETERHOUT, “Elastic” (detalhe) | (óleo sobre tela) | Art Gallery AFK, Lisbon

Nessa vida em que sou meu sono, eu não sou meu dono. Quem sou é quem me ignora e vive através desta névoa que sou eu todas as vidas que outrora tive numa só vida.

FERNANDO PESSOA

Na vida cotidiana, nós temos um Eu. Ou melhor, nós simplesmente somos, de maneira intuitiva, natural. Mas o Eu, de fato é uma função complexa, que é construída ao longo da vida através de processos de identificação. Além disso, esse “eu” não é integrado, homogêneo, sempre igual a si mesmo. É a imagem, e em particular a imagem do “eu”, o elemento que unifica tal heterogeneidade da personalidade, e nos entrega a vivência de certa unidade. Veremos que esta unidade é fruto de um enredo ilusório; em que pese a imagem do “eu” ser decisiva na constituição da “função do Eu”. Desde já, a questão toca ao artista visual: o que é uma imagem? Como se dá a experiência visual que consubstancia o ato criativo, de que falamos no Encontro 02?

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[PROCESSOS POÉTICOS] SEGUNDA AULA | Desinvenção da visão: Desenho como Experiência visual (Parte 02)

PARTE II

Continuação do texto “[PROCESSOS POÉTICOS] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão: POÉTICAS (Parte 01)“. Material complementar integrante do conteúdo do curso Processos Poéticos

GOLUCHO, óleo sobre teçla

Antes de seguir com outro importante viés do pensamento de Paul Valéry – o qual versa justamente sobre a destinação da obra, ou seja, o público (definido por ele como “consumidor”), procuraremos escrutinar os diferentes momentos da poiesis. Sendo o público o último elo implicado na complexa dialética do processo criativo (meios/fins, técnica/conceito, ação/recepção), é preciso entender primeiro como a base, o arcabouço ou bastidores da criação (termos do ensaio de Allan Poe) são armados.

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[PROCESSOS POÉTICOS] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão: POÉTICAS (Parte 01)

Neste primeiro encontro do [CURSO] Processos Poéticos, trataremos da conceituação da “poética”, relacionando as obras de Aristóteles e de Paul Valéry a fim de introduzir a concepção de Desenho como articulador de experiências.

HAMID YARAGHHI, “Spring in Spring”
2017 | óleo sobre tela (190 x 230 cm)

De início, uma diferenciação importante: o significado hoje do termo “Poética” – no Brasil especialmente difundido pelas tantas pós-graduações e linhas de pesquisas em Poéticas Visuais – em nada coincide com a famosa Poética de Aristóteles. Curiosamente, ambas têm um sentido quase que diametralmente oposto: enquanto este último preconiza que o elemento central da poesia é a mímesis (ou seja, a poesia teria pouco a ver com versificação ou sua forma em geral, e sim com a “representação”), a Poética criada por Paul Valéry se vale da acepção primitiva de poien:

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SINTOMAS DA ERA DA IMAGEM: VOYEURISMO E CEGUEIRA:

Sociedades que atravessam medos endêmicos, invariavelmente apresentam sintomas. Qual será o sintoma do nosso medo, do mal provisório que infesta os ares inaugurais do século XXI, na esteira de uma crise social estrutural? Penso se este não será, talvez o voyeurismo –  uma espécie de “perversão escópica” que nos tornou cegos para outros sentidos, e cada vez mais avaliza a visão como detentora dos poderes de conhecimento, crença e validação.

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O DESENHO E SUAS COORDENADAS (AULA ABERTA)

O tema das Coordenadas do Desenhoconteúdo do primeiro vídeo da série “Desenho e Experiência”, foi abordado em uma aula aberta transmitida via streaming, a seguir disponibilizada integralmente. O encontro se divide em uma parte prática, na qual abordamos estritamente materiais expressivos (técnicas secas); e outra teórica, com reflexões daquilo que seria uma “teoria do Desenho”, a partir de conceitos emprestados da psicanálise e das ciências sociais.Continuar lendo “O DESENHO E SUAS COORDENADAS (AULA ABERTA)”

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O Desenho e suas coordenadas

A principal coordenada do Desenho se confunde com a estruturação da própria visão. Porém o “contraste” (elemento central da síntese desenhística) é, no entanto, uma convenção. Código da linguagem visual, o contraste estabelece um acordo entre desenhista e observador – um secular acordo no qual o espectador suspende provisoriamente o juízo e acredita estar vendo volumes no papel: uma tridimensão que este originalmente não possui.

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POR QUE A ARTE É INÚTIL (E DEVE PERMANECER ASSIM)?

Convidado a participar da Conferência online “(a)cessar o Real, que ocorrerá em 30 de Outubro- fiz algumas reflexões sobre a eficácia simbólica da arte no contexto atual, e sua relação com o Real.

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[LIVE] “O DESENHO, DE DENTRO PRA FORA”

Nesta segunda feira (07 de setembro) participo da live “O Desenho, de Dentro pra Fora”  a convite do artista KELVIN KOUBIK (@kelvinkoubik), dentro do Projeto Afluentes. O tema gira em torno da concepção de Desenho como dinâmica que se estrutura de “dentro para fora” – seja em seu aspecto prático/metodológico, seja em sua dimensão de experiência visual. Pretendo abordar também sobre o Desenho no espaço da virtualidade durante o isolamento social, e por fim um pouco de minha trajetória profissional. (A reprise ficará disponível nos stories do perfil, e também neste canal Youtube aqui).

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NOTAS SOBRE A VIRTUALIDADE: O DESENHO NA PANDEMIA

Todos os objetos da vida material (o mundo das coisas do mundo) circulam numa cadeia cujo fluxo possui uma lógica mensurável, chamada “economia”. Esse fluxo – que são as trocas econômicas, explica inclusive o “modo de pensamento conceitual abstrato” (SOHN-RETHEL, 1987) da vida social, e orbita sob uma única coordenada (ideológica): a função. Até aí, mais do mesmo. O problema, em especial para os artistas, é que, nesse mundo, a estética não encontra lugar – a menos que seja um “diferencial” que potencialize lucro.

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É PRECISO ‘DOM’ PRA SER ARTISTA? (OU MELHOR, EXISTE ‘DOM’?)

 

Artistas considerados “gênios”, portadores de um dom ou talento especial, muitas vezes manifestam, em seu próprio modo de vida, o oposto daquilo que sustenta a “aura” de gênio. Michelangelo, por exemplo – já em vida chamado “il divino”, dizia continuamente: “– Se soubessem o quanto eu trabalho, não achariam que sou grande coisa!”…. Ainda assim, a crença na existência do dom permanece no imaginário.Continuar lendo “É PRECISO ‘DOM’ PRA SER ARTISTA? (OU MELHOR, EXISTE ‘DOM’?)”

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Desenho e produção de afetos: como desativar o fascismo

A representação na arte mobiliza a experiência – esta contundente estratégia que estrutura e é, ao mesmo tempo, estruturada pelo ato poético. Continuar lendo “Desenho e produção de afetos: como desativar o fascismo”

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Desenhos não mediados pela técnica

Os chamados “desenhos feios” – que prefiro chamar de desenhos não mediados pela técnica, têm migrado da esfera pessoal do gosto e parecem hoje disputar estatuto artístico. Neste texto, discuto algumas ideias associadas a esta prática, como “democratização”, “liberdade criativa”, “aquisição de linguagem autônoma” e “inclusão no universo do desenho”.Continuar lendo “Desenhos não mediados pela técnica”

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Desenho como experiência da contemporaneidade | Palestra IFRS/Atelier Livre | PORTO ALEGRE

Ante o acúmulo de imagens que nos atravessa, o olhar pode tanto neutralizar-se para a estesia das formas quanto, em oposição, qualificar a interpretação do mundo imagético. Ou seja, pode tender para a banalização ou para enriquecer-se ante o cenário da contemporaneidade, fortemente mediado pela imagem. O que nos cerca é alheio, até que passe a significar e seja apropriado pela intimidade de nossa língua pessoal.

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HIPER-REALISMO E GÊNERO: TRÊS ARTISTAS BRASILEIROS

Poucos anos atrás comecei um texto sobre a obra do gaúcho Patrick Rigon com uma pergunta que a professora Marilice Corona lhe fez: Quem foi seu mestre? E ele respondeu: “O Youtube”. Isso ainda dá conta de explicar parte da natureza da Figuração Contemporânea, ocupada com a imagem onde quer que ela venha operar seu milagre. Hoje, esse lugar é a tecnologia digital.Continuar lendo “HIPER-REALISMO E GÊNERO: TRÊS ARTISTAS BRASILEIROS”

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TINTA BRUTA: o desenho realista do cinema brasileiro contemporâneo

A tag “cinema realista” parece sempre abrigar filmes violentos, abordagens brutais ou cruas. A impressão não é casual e os adjetivos definem bem a estética realista. Responde também o porque da vida só parecer real diante de algo inesperado: uma paixão, um acidente, uma perda. Justamente quando perdemos as ficções simbólicas que dão ordem à realidade – quando o cotidiano sai do normal, é que podemos ver a vida como ela é. Por quê? Porque a eliminação das coordenadas simbólicas que guiam a experiência nos permite focar a vida em sua brutalidade primitiva, seu Real obsceno. Não é exatamente que a vida “na realidade” é brutal: é que a ausência de ficções só pode revelar uma dimensão traumática.Continuar lendo “TINTA BRUTA: o desenho realista do cinema brasileiro contemporâneo”

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Arte, Desenho, Magia

Morris pode não comunicar ao leitor sua imagem do centauro, nem sequer nos convidar a ter uma, basta-lhe a nossa contínua fé em suas palavras, como no mundo real. [1]
JORGE LUIS BORGES

Toda expressão artística é um ordenamento de forças. A princípio dispersas na cultura, e assim alijadas de significação, são essas forças dotadas de “sentido” e orientação pelo ato poético, o qual então atribui contorno ao ininteligível, presença àquilo que está entre nós, mas ainda não pertence ao mundo humanizado da linguagem. Organizando-as, ou seja, dando-lhes forma, a arte lança as forças pulverizadas da cultura para o interior do jogo simbólico. O Desenho é apenas um dos dispositivos que entretece a malha de significados implicados nessa operação, por meio do que chamamos narrativa.Continuar lendo “Arte, Desenho, Magia”

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Notas para compreender a Figuração Contemporânea

A pintura é uma poesia silenciosa;
a poesia uma pintura que fala.
SIMÔNIDESin Plutarco, em De Gloria Atheniensium (III, 346)

Nesta semana (21), encerra a FIGURATIVA | 1ª Feira de Arte Figurativa em Brasília, promovida pelo espaço Par de Ideias. Assino a curadoria da Feira, e no texto curatorial (aqui) exponho os princípios que regeram nossa escolha – tanto temática, quanto das obras selecionadas. Segue resumo do conteúdo da palestra e do curso que ministrei em Brasília como parte da programação da Feira – o mesmo conteúdo será ministrado em Porto Alegre (17/01 e 14/02/19) no MARGS, e em Florianópolis (março/19) no Sítio Coworking. Nosso desejo é abrir o diálogo em torno dessa produção, compartilhando algumas reflexões acerca desse movimento tão recente no Brasil e no mundo.

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FIGURATIVA: 1ª Feira de figuração contemporânea de Brasília

Não há nenhuma idealização romântica ou inspiração clássica passadista; nenhum saudosismo, nem “desejo de retorno” na figuração presente na arte atual. É arte contemporânea em sua expressão plena – equacionados os preconceitos que reduziam a arte a um debate técnico. Os artistas que hoje recorrem aos elementos da tradição para articular o cotidiano estão interessados em realizar um exercício de escuta, de diálogo, um ensaio vigoroso de alteridade. Escrevi acerca do tema em outros momentos (aqui, aqui e aqui), e neste post transcrevo meu texto de curadoria para a FIGURATIVA – 1ª Feira de Arte Figurativa Par de Ideias. Continuar lendo “FIGURATIVA: 1ª Feira de figuração contemporânea de Brasília”

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O Desenho como experiência visual | Palestra

Compartilhamos aqui uma síntese das reflexões apresentadas nos últimos cursos, organizadas em torno de quatro eixos. Esta conteúdo será ainda tema das próximas palestras nas cidade de Florianópolis, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba (veja cronograma ao final)Continuar lendo “O Desenho como experiência visual | Palestra”

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O Desenho como experiência visual (parte I)

Um antigo mito dá conta de explicar a origem da pintura no mundo clássico. Esse mito assinala uma dimensão intelectiva da prática, sugerindo que uma episteme do fazer manual já estava presente no DNA das artesanias. No capítulo 12 do livro XXV[1] da sua História Natural (77-79), Plínio, o Velho conta a lenda de Cora (filha do oleiro Butades da cidade de Sicião) que risca em uma parede o contorno da sombra de seu namorado, que em breve partiria para o estrangeiro. Butades então modelou em argila a cabeça do genro, tendo como referência o contorno traçado pela filha. Veja na galeria algumas imagens representando essa cena:

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Como desenhar pode ser uma prática subversiva

A cada bloqueio que sofro no Facebook (esta é a quinta vez), minha primeira sensação é de incompreensão. Depois de um mês bloqueado, é impossível não relativizar a importância desta rede social que, vista à distância é bem insignificante mesmo. Porém preciso dela para exercer minha profissão, a qual me leva de tempos em tempos a ser censurado por um algoritmo: sou artista visual e minha temática é a representação do corpo. Além disso, há 15 anos ministro oficinas de desenho da figura humana com modelo vivo: a nudez, portanto, está tão presente em meu trabalho, onde ela é de tal modo naturalizada – que o cinismo da “lógica” dos algoritmos sempre me deixa confuso.

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