• A arte do fazer

    Se você pensa no escândalo do salão impressionista – época em que as exposições como conhecemos hoje sugiram, fica claro que o público ia ao Museu para ver o que o artista tinha a dizer (“o que ele vai aprontar agora?”). Hoje, pessoas se interessam mais pela sua própria experiência – e encontram nas mídias sociais espaço permanente e gratuito de exposição, com muito mais alcance do que os museus, além da vantagem de serem direcionadas especificamente ao público desejado.

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    Então, as artes visuais vêm perdendo hegemonia para outras formas de registro e narrativa, desde o século XIX (como a fotografia, depois o cinema). Considere agora outro ponto: esse discurso inventado na Europa no século XIV – conhecido no ocidente como “arte”, se tornou cada vez mais sofisticado, principalmente após a década de 70. Desde lá, a arte recria e complexifica seus próprios meios, acarretando um significativo esvaziamento da capacidade em mediar afetos (análogo ao que aconteceu com a poesia: quando os requintes do estilo parnasiano se tornaram formalismo puro e deixaram de agradar, veio o verso livre; mas após a onda de experimentalismo desenfreado, grandes poetas tornaram a buscar vitalidade nas formas tradicionais).

    GRZEGORZ GWIAZDA | escultura

    Isso talvez ajude a explicar tal perda de hegemonia: o lugar antes ocupado pelas artes visuais na mediação entre os sujeitos e o mundo é hoje operado por outras formas de linguagem. Evidência absoluta disso é a onipresença do áudio visual na cultura contemporânea (pergunte-se: quantas exposições de arte eu fui ano passado, e quantos filmes e séries assisti?).

    Museus só enchem quando a arte é convertida em espetáculo (Bienais, Feiras artísticas, Salões, etc). Esse afastamento do público é sinal de uma reconfiguração dos lugares tanto do “museu”, quanto do “público que frequenta museus”. O museu compreendeu isso a tempo e alterou seu estatuto – sua prioridade, pelo menos nas últimas duas décadas, são ações afirmativas e educativas (até a velhíssima Academia Brasileira de Letras tem mudado, devagarinho…). O público que frequenta (ou frequentava) museus, também mudou, justamente porque a arte ocupa hoje outro lugar: há quem deseje ser reconhecido entre uma elite intelectual, quem deseje fazer um social no meio a que pertence, quem busque contatos e ostentação, e ainda os que estão ali só para ver arte mesmo (sem dúvida, a minoria). Não me entendam mal: tudo isso é legítimo. Não quero opor um “interesse mesquinho” contra um “interesse desinteressado” do tipo ars gratia artis.  Até porque acho que nem um, nem outro jamais existiram.

    Todo mundo tem uma relação com a arte e não precisa ostentar isso indo à vernissages – ela está aí, na vida cotidiana: quando se cria uma melodia assoviado, quando se vê uma pareidolia nas nuvens ou ao se sensibilizar com uma situação que ninguém percebeu.

    Perceber é receber estímulos e a arte é justo o instrumento que faz a intermediação, ou seja, que media ou “traduz” afetos e os humanizam, incluindo-os no terreno da cultura. Mal comparando: é como a lapidação do diamante que nos permite apreciar a gama de luzes que a pedra bruta não dava conta de exibir. Não quer dizer que a arte torna mais sofisticado o afeto, ela apenas afina esse sensor que é o corpo – afina a sensibilidade que todo sujeito possui, dando nome àquilo que chega do mundo e o afeta.   

    Nosso neocórtex , estrutura do tronco cerebral, com seus bilhões de neurônios é a parte mais excitável da matéria viva do universo conhecido; mas cada célula do corpo tem receptores destinados a receber inputs do meio – ou seja, “sentir”.

    Nosso corpo é o sensor mais especializado que conhecemos, um sensor testado através de milhões de anos de aprimoramento na seleção natural que, aliás, nunca serviu à lei do mais forte – sobrevive quem é capaz de melhor perceber as alterações no meio, é esse quem melhor se adapta. A seleção natural se baseia no sentir, não na adaptação.

    Não é questão de arte ‘boa ou ruim’: a arte mais significativa é aquela capaz de dar um sentido aos afetos. Não precisa obedecer uma forma especifica, ou seja, corresponder àquele discurso de matriz renascentista – vide as produções da arte contemporânea, cuja vocação é ser “livre” (como poderia estar presa aos grilhões da arte tradicional que em geral os próprios artistas desconhecem depois de um século de desconstrução?).

    Qualquer produção artística está apta a realizar isso na medida em que não nos faça apenas identificar e reconhecer objetos – mas, pelo contrário, nos permita estranhar as coisas e eventos cotidianos, tornando-os desconhecidos a fim de que nossa experiência no mundo se atualize, uma vez que todo instante é inédito, e todo segundo um novo possível.

    GRZEGORZ GWIAZDA | escultura

    É difícil definir o que seja arte, mas quando algo descortina uma dimensão desconhecida de minha própria experiência, sei que estou diante de um objeto artístico. Faz isso a obra que consegue revelar pra mim o que eu sentia sem saber, ou que me possibilite sentir aquilo que eu ainda não sentia, mas julgava saber.

    Essas e outras questões serão respondidas no Curso AO VIVO online “O FAZER DA ARTE | poética & experiência”! Consulte informações aqui e se inscreva! Inscrições até 31/10/25 tem 50% de desconto!

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    Capa: GRZEGORZ GWIAZDA | Sculptures Heretic


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  • O fazer da arte

    A produção artística sempre foi considerada um mistério. Historicamente tomada como algo inefável por conta de seus desenvolvimentos subjetivos e invisíveis, a arte é envolta numa dimensão inapreensível, como se fosse reservada a poucos. A começar pela suposição de que o artista possui um dom – uma “dádiva” divina… Artistas e interessados no fenômenos estético, contudo, não podem ser vítimas dessa mistificação: é preciso estarem cientes dos eventos envolvidos na poiesis (ou criação artística).

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  • Um reencontro com a dimensão perdida do corpo

    “É também com o corpo todo que pinto os meus quadros e na tela fixo o incorpóreo, eu corpo-a-corpo comigo mesma. Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro.”

    CLARICE LISPECTOR, Água Viva

    Tudo começou como uma busca por voltar a sentir; um desejo de reencontrar-me com o sentido dos sentidos.

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  • As artesanias do visível

    “A prática ensina o olho a cantar”

    O texto a seguir é a apresentação que produzi para o livro recém-lançado Manual de construção da cabeça humana: modelagem no processo da escultura cerâmica, do artista FERNANDO POLETTI.

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  • A invisível invisibilidade do visível

    “A ficção consiste não em fazer ver o invisível, mas em fazer ver até que ponto é invisível a invisibilidade do visível.”

    MICHEL FOUCAULT

    O texto a seguir é transcrição da Apresentação que fiz para a segunda edição do livro Sobre-posições (Editora Telaranha), do filósofo e artista Marcos Beccari. Além de teórico da visualidade com vasta produção acadêmica (contando com mais de uma dezena de títulos publicados), Beccari é também aquarelista reconhecido mundialmente – o que garante lugar de destaque a suas elaborações. Neste texto procuro sintetizar a obra, ainda que precariamente. Que ele possa servir de recomendação suficiente para artistas e interessadxs no estudo e na produção de imagens.

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  • Visão e poética artística

    Os vínculos sensórios – fundamentais para criação artística, são barrados pelo próprio sistema sensorial. Não é, senão “desvendo” que o olho se ativa.

    Segundo a narrativa mais antiga e influente do judaísmo e da cristandade, a imagem é o primeiro traço constitutivo de nossa humanidade: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gen, 1:26). O corpo era então virtualidade e a reprodução, por conseguinte, condutor da criação, o vínculo primitivo com o Criador. Ainda na Gênesis bíblica, o fiat lux é a primeira palavra de Yahweh, separando luz e trevas, dia e noite, mesmo sem ainda haver o sol e a lua – afinal, de que outra forma seria possível evidenciar a obra criada?

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  • AUTO retrátil

    Texto de curadoria da exposição AUTO retrátil, em cartaz no Museu de Arte de Porto Alegre a partir de 09 de Novembro de 2024. Artistas Liana d’Abreu e Tuchi Niederhageböck. Texto e curadoria: Gustavot Diaz

    Todos produzem autorretratos na expressão de cada preferência: o sapato que combina com a calça, os livros de cabeceira, a pose diante do espelho: compomos diariamente um “estilo” que portamos e que, por sua vez, porta nossa identidade. Tal busca por identificação (no fundo, uma busca por “idênticos”) é o que nos instala na ordem simbólica, garantindo lugar entre os outros. Assim, de uns a gente se torna “igual”; de outros, a gente se torna “o outro” – outro que existe na exata medida da confecção daquela máscara identitária (sem ela, nenhum outro seria possível).

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  • O QUE O DESENHO ME ENSINA

    Em quinze tópicos curtos, elaborei alguns ensinamentos que o desenho me trouxe nesses trinta anos de prática desenhística.

    1. O desenho é uma forma de lapidar o diamante que brilha onde o carvão sonha. A diferença entre um desenho e outro é o modo com que manchas se relacionam no suporte – manchas que já estavam no carvão e que, costuradas umas às outras no papel, fazem a verdade da forma aparecer. Na vida é assim também: os elementos da criação estão todos à nossa volta: quando encontram sua melhor articulação, a arte acontece.

    2. Ver é uma experiência; o desenho é uma forma de exorcizar vivências que nunca poderão ser desfeitas: ao simbolizá-las, o desenhista reescreve a narrativa, “transmudando o acaso em destino”*.

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  • CANÇÕES PARA DESARMAR BOMBAS

    Algumas considerações sobre a produção poética, por ocasião do lançamento do meu livro de estreia canções para desarmar bombas, pela Editora MONDRU.


    de que vale mudar em verso

             o gesto vivido?

    se, no início, o verbo era o ser

    escrever é sacar a carne

             da metáfora primordial

    canções para desarmar bombas (2023) p. 141

    Este trecho do poema [excertos de um tratado de escrita por escrever], enuncia a pergunta fundante da poesia: para que escrever? O que se ganha ao transformar em palavras o vivido? A experiência é nossa mediação mais ampla com o mundo. Tendo em vista que não vivenciamos o mundo, apenas o experienciamos conforme determinadas coordenadas, quando essas se transformam, transformam a experiência. Aí se esconde talvez a função mais eminente da arte: emular coordenadas para o alargamento experiencial (portanto, existencial). Escrever não é melhor do que o viver em si, mas a palavra pode dar sentido às vivências e prospectar outras.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] AS DIMENSÕES DA IMAGEM (Parte II)

    As estruturas semânticas e identitárias que estabilizam nossa experiência de realidade evitam que o Real emerja em toda a sua violência e caos. A tarefa da poética é desarticular a linguagem de seus condicionamentos “antropologofalocêntricos”[1], reintegrando à palavra seu poder criativo, para além de simulacros.

    Compartilho mais uma parte do conteúdo do Processos Poéticos, desta vez tematizando as identificações (no artigo anterior, você encontrará alguns temas introdutórios). Na música O Quereres – composição de Caetano Veloso, o autor fala em decassílabos a respeito do querer humano e certo “desreconhecimento” de si para consigo mesmo, procedente de uma divisão interna que nos faz querer uma coisa que na verdade é outra. A canção ilustra como a essência do desejo humano é um descompasso inevitável entre expectativa e frustração. Ou seja, a “outridade” de um querer que nos habita, mas é incontrolável, revela mais de nós do que os gostos e predileções conscientes.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] AS DIMENSÕES DA IMAGEM

    Esse texto aborda um dos conteúdos do curso Processos Poéticos, e é continuação programática do artigo anterior acerca do desver como recriação da experiência.

    O desenho como experiência

    Os experimentos de Brunelleschi dão uma bela ilustração da experiência do sujeito moderno – no qual prevalece um novo tipo de subjetividade emergente na Europa entre os século XIV e XV. A riqueza de seus experimentos simbolizam um sujeito que demandava uma certeza empírica do mundo: a certezza em lugar da opinione. A subjetividade de nosso século, claro, não é mais configurada assim – condições diversas constituíram dialeticamente um ser diverso – no entanto, seu surgimento no horizonte da arte daquele período nos ensina alguma coisa. Considerando que toda obra de arte é um conjunto de coordenadas gerativas de experiência, recorreremos à Psicanálise para uma explicação mais ampla e complexa da estrutura deste fenômeno, a partir do qual compreenderemos a dinâmica experiencial da produção artística.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 5ª ED] ENCONTRO 2 | DESVER: O DESENHO COMO EXPERIÊNCIA VISUAL

     Quando penso que vejo, quem olha

    por mim enquanto estou pensando?

    Fernando Pessoa
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  • [PROCESSOS POÉTICOS 5ª ED] ENCONTRO 1 | “Desinvenção da visão” (Parte II)

    Todo artista intui e de algum modo sente na pele que sua atividade criativa não é devidamente aceita; e quando aceita, não é bem compreendida. Nesse caso é ainda pior: a censura é intolerável, mas não há interdição maior do que articular uma língua que ninguém entende, numa linguagem que nada significa aos outros. Realmente, o dilema maior do artista parece ser aceitar a sua própria verdade.

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  • [LIVE] “A formação do artista” | COM MARCOS BECCARI

    A formação do artista

    Nesta Live com Marcos Beccari, falamos acerca de como se deu a constituição do “artista” na Renascença europeia; as condições objetivas e subjetivas de seu aparecimento histórico. Esse conteúdo servirá também como base de nosso primeiro encontro do curso PROCESSOS POÉTICOS, que inicia em 15 de abril.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 5ª ED] ENCONTRO 1 | “Desinvenção da visão” (Parte I)

    Para cumprir a difícil disposição de se assumir artista, compete ao sujeito compreender a singularidade que distingue o gesto artístico – singularidade esta, que em geral se chama poética. E o meio mais eficiente de expressão desta singularidade é o conhecimento das referências, dos traços pendulares, dos campos semânticos e lexicais do trabalho – ou seja, a constituição simbólica, ou linguística de tal fazer singular. É isso que denomino “articulação plástico conceitual”, cuja operação pode esclarecer o artista quanto aos recursos expressivos de sua atuação.

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  • O constante e o diverso na produção de MARIA TOMASELLI

    A imensa, diversificada e, no melhor sentido da palavra, caótica produção de MARIA TOMASELLI reage ao enquadre curatorial contemporâneo que em geral privilegia uma narrativa, um discurso poético-conceitual específico, uma categoria de linguagem: é no caos que essa artista gaúcha se encontra; na variedade, tanto de forma quanto de categorias, seu trabalho produz unidade.

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  • [labPROCESSOS] lab#1: “O tempo das imagens”

    A imagem é uma extraordinária “montagem”

    – não histórica – de tempo”

    (Didi-Hubermann, 2000, p. 16)

    O objetivo do labPROCESSOS é a criação de um espaço de debate permanente – para além das edições do curso Processos Poéticos, que ofereça continuidade de estudo aos participantes. O que segue é um resumo do conteúdo do primeiro encontro – lab#1, que ocorreu em 01/10/22. A segunda edição será em 03 de dezembro. (Os vídeos gravados com os encontros na íntegra podem ser adquiridos, vide informações ao final)
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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] “MÓDULO 3”: PRIMEIRA AULA | NARRAÇÃO FIGURADA E IMAGEM NARRATIVA

    “Por mais evidente que pareça ser seu “grau de similitude”, uma pintura realista é necessariamente convencional. O manejo das cores, por exemplo, passa pela consciência de que não se trata de cor vista (que é luz, não pigmento), da mesma forma que uma palavra não se assemelha, visual ou foneticamente, ao que ela designa. Toda semelhança é arbitrária. E a pintura começa quando deixamos de ver semelhanças e passamos a ver acidentes, algo como uma gota que, ao escorrer no papel, faz alusão a uma silhueta, um rosto, uma flor. É assim que uma pintura se torna realista, mas vê-se com clareza que ela não o é desde o início, que a figuração é apenas um resultado possível. Tal resultado, por sua vez, depende uma eventual narrativa, exatamente como os borrões de tinta devem ser lidos nos testes de Rorschach: conta-se não o que se vê, mas o que parece se passar no plano pictórico e o que se supõe ocorrer nos olhos de quem o observa.

    MARCOS BECCARI. In. Antirrealismo: uma breve história das aparências. Curitiba: Kindle Direct Publishing, 2019, p. 6-7.)
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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] “MÓDULO 2”: SEGUNDA E TERCEIRA AULAS | ONDE SE RELACIONAM ARTE E PSICANÁLISE?

    Vimos como a psicanálise confere uma constituição radicalmente diferente à “realidade” daquela enunciada pela filosofia e pela ciência até então. Se for compreendida por meio de três registros estruturantes – Real, simbólico e imaginário, ela se torna operativa e sua interpretação mais eficiente. Trazemos alguém mais qualificado para reforçar essa caracterização:

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] “MÓDULO 2”: PRIMEIRA AULA | PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO

    No primeiro encontro do Módulo 2, cujo conteúdo ora compartilhamos, preferimos abordar diretamente alguns dos conceitos centrais da psicanálise – será mais útil ter noção do que seja essa área do saber, para então mensurar sua contribuição à arte e a natureza de suas implicações mútuas. Durante as quatro horas do encontro discorremos acerca dos registros Real, simbólico e imaginário, e sobre algumas relações entre as teorias de Lacan e Freud. No segundo encontro falaremos do Estádio do espelho – articulação central na constituição do sujeito, que Lacan faz coincidir com o reconhecimento da dimensão da imagem.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] TERCEIRA E QUARTA AULAS | DESVER: A EXPERIÊNCIA VISUAL
  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] SEGUNDA AULA | AS DIMENSÕES DA IMAGEM

    Iniciamos falando do “autorizar-se” como artista; agora alguns apontamentos acerca da recepção e crítica da produção se faz necessário – a começar por um pressuposto básico: elogios estragam o artista.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] PRIMEIRA AULA (parte II) | DESINVENÇÃO DA VISÃO

    Ao final do último artigo, falamos que somente o desejo do artista é capaz de o manter em atividade. Reforça essa noção o fato de que a arte é um trabalho sem finalidade, o qual não possui utilidade per si em um sistema de circulação de mercadorias. Num contexto de “realismo capitalista[1]”, todas as atividades possuem um único vetor: a instrumentalização em favor de lucro. É precisamente aí que a arte desempenha função fundamental, uma função estratégica mesmo do processo civilizacional. Suas operações são invisíveis, entretanto, porque são pressupostas – quer dizer, a arte sempre entrega seus efeitos e esconde seus processos. Ao redor de nós, ela organiza e “cultiva” por todos os lados as formas do mundo: em cada detalhe o trabalho de um artista, um designer, um arquiteto, etc. está oculto, alienado em cada objeto (como em geral o trabalho está oculto em seus produtos).

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] PRIMEIRA AULA | DESINVENÇÃO DA VISÃO

    O exercício da arte exige um questionamento que inicia na interlocução. Neste artigo (um trecho do primeiro encontro do curso Processos Poéticos que inicia em 13 de Agosto) falaremos sobre os desafios na busca de uma voz autoral. Para onde o olhar do artista se (re)volta? E para quê?

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  • [PALESTRA] POÉTICAS DA FIGURAÇÃO CONTEMPORÂNEA | CURITIBA

    Conteúdo da palestra apresentada por ocasião da 2ª Mostra do Coletivo FIGURE, na Gibiteca de Curitiba em junho de 2022

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 3ª ED] QUINTA AULA | CONSTRUINDO UM PROJETO DE TRABALHO

    Ajuda-nos senhor a colher a importância das perguntas que nos desestabilizam, em vez de nos tornarmos, com idade adulta, profissionais da fuga.

    Cardeal TOLENTINO MENDONÇA

    Até agora falamos do problema das identificações e como indexam o imaginário, e mesmo alienam o espectador. Em vias de iniciarmos o trabalho prático do Curso, é hora de encarar agora também a potência das identificações e sua capacidade de produzir afetos.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 3ª ED] QUARTA AULA | AS DIMENSÕES DA IMAGEM (PARTE II)

    “Me deram um nome e me alienaram de mim”

    CLARICE LISPECTOR

    Desde o primeiro encontro, temos falado sobre a experiência, e concluímos que “ver” é equivalente a sofrer um tipo de experiência visual. A psicanálise oferece um instrumental teórico para compreensão da estrutura ontológica da experiência, com a vantagem adicional de que sua metapsicologia é referenciada na imagem e em suas diferentes enunciações.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 3ª ED] TERCEIRA AULA | AS DIMENSÕES DA IMAGEM (PARTE I)

    Paul Valéry ministra as Lições de poética no Collège de France a partir de elaborações que partiam da crítica ao academicismo vigente na arte, e da exigência da participação ativa do artista (em toda sua subjetividade) na concepção da obra. No último encontro, vimos como o autor vai assim dando contorno ao que mais tarde conheceríamos como “poéticas visuais” – considerando o acréscimo do último século, onde o conceito foi ganhando densidade.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 3ª ED] SEGUNDA AULA |  “DESVER”: UMA EXPERIÊNCIA VISUAL

    E, se tento compreender e saborear esse delicado gosto que o segredo do mundo confia, é a mim mesmo que encontro no fundo do universo. (…) E, então, quando sou mais verdadeiro do que quando sou o mundo? Sou presenteado antes de ter desejado. A eternidade está ali, e eu esperava por ela. Agora, não desejo mais ser feliz, e sim apenas estar consciente.

    ALBERT CAMUS, O direito e o avesso
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  • [PROCESSOS POÉTICOS 3ª ED] PRIMEIRA AULA | DESINVENÇÃO DA VISÃO (PARTE 2)

    Expliquei para alguém o sentido que via na militância política, e ouvi: “esse mundo mudou, hoje não se trata mais de fazer pelos outros, representar a voz dos outros… Hoje é ensinar a fazer”. Aceitei a crítica e, com o tempo incluí um adendo: “ensinar a fazer e compartilhar processos”. Aquela observação me ensinou uma coisa a mais: alterou minha maneira de ver. Disso resultou uma mudança em minha posição ética. Percebi que, diferente da localização geográfica, onde a mudança de posição promove a modificação do horizonte, subjetivamente o que acontece é o contrário.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 3ª ED] PRIMEIRA AULA | DESINVENÇÃO DA VISÃO (PARTE 1)

    Toda expressão artística é, antes de tudo, expressão de um erro. Tenho uma ideia ou conceito que me parecem perfeitos; basta lançar mão de um lápis: pronto, o traço já não está à altura da ideia, o desenho não expressa devidamente o conceito. Por mais que tente aprimorá-lo, a dimensão platônica implícita em toda ação humana impõe uma exigência (alter egóica) que frustra a experimentação. Por isso Samuel Beckett se refere ao processo artístico assim: “errar, errar de novo, errar melhor”.

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  • +50 Mulheres na arte: uma atualização

    Este 8 de março de 2022 merece uma atualização na listagem de artistas mulheres que elaboramos tempo atrás. É claro que este é apenas breve resumo de um universo incontável de artistas – mas é uma proposta de síntese do que considero a melhor produção pictórica realizada por mulheres na contemporaneidade.

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  • TEXTO DE CURADORIA | “ÁGUA DE VER”, EXPOSIÇÃO DE MARCOS BECCARI

    Última semana para visitação da exposição Olhar Submerso, de MARCOS BECCARI, em exibição da Fundação Cultura de Curitiba. No post, segue nosso texto de curadoria…

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 2ª EDIÇÃO] SEXTA AULA | ÉTICA DAS IMAGENS

    Hoje falaremos de poesia. Gostaria que considerassem esta frase do escritor português José Saramago: “Se podes olhar, vê; se podes ver, repara”. A expressão denota um sentido ético intrínseco ao fazer (e ser) poético. O verbo “reparar”, como verbo transitivo, tem origem em reparare = “começar outra vez, preparar novamente”, e todos os seus sinônimos remetem a tal formação latina: r­­e (“outra vez) + parare = “preparar, aprestar”. Outros sinônimos são: renovar; melhorar, retocar, consertar, restaurar, indenizar, restabelecer, compensar[1].

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 2ª EDIÇÃO] QUINTA AULA | A PSICANÁLISE E OS SENTIDOS DA IMAGEM

    Falamos da experiência visual que arquitetou a própria inscrição do artista como testemunha da História enunciando, assim o lugar do artista. A esta altura, já distinguimos com maior clareza o que são vivências cotidianas (pelas quais passamos a todo momento no viver), e tal experiência visual – que é a “vivência elaborada”. Anteriormente, também defendemos que a experiência visual, uma vez emulada em procedimentos técnicos (perspectiva e demais operações da linguagem visual), daria conta de “superar”, por assim dizer, paradoxos constitutivos da criação poética, na medida em que situa os processos subjetivos em função da compreensão (até onde é possível) de coordenadas simbólicas, em função das quais a experiência se organiza. Tal compreensão impede a precipitação de estereótipos, deixando emergir uma “percepção” mais “imediata” da experiência que funda o lugar subjetivo do artista – a isso chamamos olhar.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 2ª EDIÇÃO] SEGUNDA AULA | DESINVENÇÃO DA VISÃO

    O tema deste encontro do Processos Poéticos já está em parte no texto da edição anterior do curso, abordando algumas das relações entre olhar e a visão que sustentam a intervenção do artista (seu processo criativo). Este assunto servirá como introdução ao método de “desver”, que no Programa denominamos sob o título A desinvenção da visão.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 2ª edição] QUARTA AULA | Poéticas da Figuração Contemporânea

    O terceiro encontro do Processos Poéticos foi dedicado à apresentação das propostas de trabalho pelos integrantes dessa edição do curso, que a partir de agora receberão orientação individual durante a execução, até o último encontro (quando os trabalhos serão apresentados coletivamente à turma). Neste quarto encontro estudaremos o cenário contemporâneo da figuração artística.  

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 2ª edição] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão

    Neste primeiro encontro da 2ª edição do [CURSO] Processos Poéticos, voltaremos a tratar da conceituação de “poética”, considerando a natureza do Desenho a fim de refletir sobre o lugar e a natureza da criação artística.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] SÉTIMA AULA | MODERNO/PÓS/MODERNO: NOS LIMITES DA ARTE

    Este é o último conteúdo teórico do Curso PROCESSOS POÉTICOS, que encerra dia 28/06 com apresentação dos trabalhos práticos desenvolvidos pelos participantes. Reservas para segunda edição (prevista para Agosto de 2021) através do contato no site!

    LENNART NILSON, 1965 (primeira fotografia da vida intrauterina de um feto)

    A década de 1960 relativizou a dimensão humana em todos os sentidos – talvez tanto quanto o heliocentrismo (teoria que Copérnico publicou em 1543, mais tarde ratificada por Galileu), que retirou a Terra de sua imutabilidade e a fez girar em torno de um sol fixo, junto a bilhões de outros astros. Nos anos 60, viu-se pela primeira vez, as fotos da Terra tiradas pelos astronautas da Apolo 11 (capa do artigo); e também as fotos da vida intrauterina, capturadas por Lennart Nilsson.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] SEXTA AULA | Síntese e representações

    O problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história.

    CHIMAMANDA ADICHIE
    PHIL HALE “Interpreter” 2008 | óleo sobre tela

    O que se costuma chamar de “representação” em arte não é, senão síntese: produto de escolhas deliberadas. A condição representacional é assim, paradoxalmente, a de não emular o real. Ao contrário do sentido redutor de mímesis (onde a “semelhança” com um referente é projetada pelo observador), a Figuração Realista – e isso se poderia dizer de toda forma artística, se constitui de uma “alteração” da realidade com o fim de torná-la verossímil, assimilável. Deste modo é que a arte emula as condições de experiência do sujeito (não a experiência da coisa em si). A percepção opera, de fato por meio de uma seleção anamórfica (logo, imaginária) de identificações que destituem o “real” de sua verdade, registrando-o simbolicamente a fim de se apropriar dele; nesse registro, porém, algo se perde para sempre. O filósofo Baudrillard resumiu bem isso: “Criar uma imagem consiste em ir retirando do objeto todas as suas dimensões, uma a uma: o peso, o relevo, o perfume, a profundidade, o tempo, a continuidade e, é claro, o sentido.”

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] QUINTA AULA | O ato poético

    Falamos de um Je e de um moi; agora é a vez das noções de Eu ideal e Ideal de Eu. Ambas figuras desenvolvidas por Freud, e fundamentais ao ato poético no tocante ao sujeito que o experiencia e à dimensão conceitual (o quê fazer), são essas posições do sujeito instituídas em função da imagem.

    GUSTAVOT DIAS, “Selfie portrait”, 2018 | carvão e pastel sobre Mi-Teintes (66x50cm)

    Eu ideal x Ideal do Eu

    O Eu ideal corresponde a uma forma do Narcisismo – um lugar ajustado ao desejo e à expectativa dos pais e da sociedade; em outros termos, àquilo tudo que o “outro espera de nós”. No Eu Ideal – instância imaginária onde a divisão que existe entre o que eu “sinto ser” e a “imagem do que sou” desaparece, e onde nos identificamos completamente com as projeções alheias, respondendo ao que o outro espera – somos objeto que satisfaz a expectativa de alguém (função à qual recorremos na esperança de agradar e fazer cessar a angústia). Já o Ideal do eu (instância do Complexo de Édipo) corresponde a uma superação simbólica do narcisismo primário do Eu ideal – quando já a criança percebe que não é amada pelo que é em si mesma, mas por algum outro valor independente de si.  O Ideal do eu representa aquilo que se deseja no desejo; remete ao que se deve “querer tornar-se”. Ou seja: a busca de um ideal que autorize meu próprio desejo. Sua enunciação se daria através de perguntas como – o que serei e como devo ser? em que lugar subjetivo devo estar? que faço a fim de poder desejar aquilo com que me identifico? Aqui é onde o desejado passa a ser desejante. O Ideal do eu permite a substituição das projeções sobre nossas figuras parentais – de seres superiores e onipotentes, tornam-se então humanos como os demais, e o campo de desejo é substituído por outras instâncias que os representam: professores, mestres, sujeitos sociais que admiramos, etc. A partir dele montamos os ideais reguladores de nosso horizonte ético. Ele permanecerá, no entanto, sempre no futuro do pretérito, indicando um caminho que não será jamais alcançado.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] QUARTA AULA | Poéticas da Figuração Contemporânea

    Apresentamos aqui uma hipótese de interpretação da Figuração Contemporânea, buscando afastá-la da vacuidade do conceito genérico de “pintura contemporânea”. Acreditamos estar em curso um movimento que, pela densidade, quantidade e abrangência, pode vir a definir um momento histórico sui generis. Para outros desenvolvimentos, clique aqui.

    ALEX KANEVSKY, “J.W.I. in Her Room”, 2015 |
    óleo sobre tela (48′ x 44″)

    Levantamos até agora, no curso Processos Poéticos um espectro de conteúdos acerca da experiência – desde o momento em que é estruturada pela perspectiva (método de “representação” instaurador das coordenadas que possibilitaram o sujeito da experiência na arte), até seu uso político-ideológico (com o exemplo maior do programa de política cultural empreendida pela CIA nas décadas de 50/60 em todo o Ocidente). Tudo isso a fim de dialeticamente compreender o sentido da Figuração Contemporânea, uma vez que ela não é representacional. Propomos pensar tal produção como parte de um processo de continuidade com a Arte Moderna, ou seja, como mais um fruto do rompimento com a concepção tradicional que teve início em fins do século XIX.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] TERCEIRA AULA | As dimensões da imagem

    A imagem como constitutiva de processos de subjetivação. Coordenadas simbólicas da experiência. A imagem e o simbólico: breve apresentação dos três registros na psicanálise de Jacques Lacan. A imagem como instituidora de afetos. Por que a Psicanálise hoje representa tantas implicações para a arte e o fazer artístico?

    CAROLINE WETERHOUT, “Elastic” (detalhe) | (óleo sobre tela) | Art Gallery AFK, Lisbon

    Nessa vida em que sou meu sono, eu não sou meu dono. Quem sou é quem me ignora e vive através desta névoa que sou eu todas as vidas que outrora tive numa só vida.

    FERNANDO PESSOA

    Na vida cotidiana, nós temos um Eu. Ou melhor, nós simplesmente somos, de maneira intuitiva, natural. Mas o Eu, de fato é uma função complexa, que é construída ao longo da vida através de processos de identificação. Além disso, esse “eu” não é integrado, homogêneo, sempre igual a si mesmo. É a imagem, e em particular a imagem do “eu”, o elemento que unifica tal heterogeneidade da personalidade, e nos entrega a vivência de certa unidade. Veremos que esta unidade é fruto de um enredo ilusório; em que pese a imagem do “eu” ser decisiva na constituição da “função do Eu”. Desde já, a questão toca ao artista visual: o que é uma imagem? Como se dá a experiência visual que consubstancia o ato criativo, de que falamos no Encontro 02?

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] SEGUNDA AULA | Desinvenção da visão: Desenho como Experiência visual (Parte 02)

    PARTE II

    Continuação do texto “[PROCESSOS POÉTICOS] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão: POÉTICAS (Parte 01)“. Material complementar integrante do conteúdo do curso Processos Poéticos

    GOLUCHO, óleo sobre teçla

    Antes de seguir com outro importante viés do pensamento de Paul Valéry – o qual versa justamente sobre a destinação da obra, ou seja, o público (definido por ele como “consumidor”), procuraremos escrutinar os diferentes momentos da poiesis. Sendo o público o último elo implicado na complexa dialética do processo criativo (meios/fins, técnica/conceito, ação/recepção), é preciso entender primeiro como a base, o arcabouço ou bastidores da criação (termos do ensaio de Allan Poe) são armados.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão: POÉTICAS (Parte 01)

    Neste primeiro encontro do [CURSO] Processos Poéticos, trataremos da conceituação da “poética”, relacionando as obras de Aristóteles e de Paul Valéry a fim de introduzir a concepção de Desenho como articulador de experiências.

    HAMID YARAGHHI, “Spring in Spring”
    2017 | óleo sobre tela (190 x 230 cm)

    De início, uma diferenciação importante: o significado hoje do termo “Poética” – no Brasil especialmente difundido pelas tantas pós-graduações e linhas de pesquisas em Poéticas Visuais – em nada coincide com a famosa Poética de Aristóteles. Curiosamente, ambas têm um sentido quase que diametralmente oposto: enquanto este último preconiza que o elemento central da poesia é a mímesis (ou seja, a poesia teria pouco a ver com versificação ou sua forma em geral, mas sim com “representação”), já a Poética criada por Paul Valéry se vale da acepção primitiva de poien:

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  • SINTOMAS DA ERA DA IMAGEM: VOYEURISMO E CEGUEIRA:
    Sociedades que atravessam medos endêmicos, invariavelmente apresentam sintomas. Qual será o sintoma do nosso medo, do mal provisório que infesta os ares inaugurais do século XXI, na esteira de uma crise social estrutural? Penso se este não será, talvez o voyeurismo –  uma espécie de “perversão escópica” que nos tornou cegos para outros sentidos, e cada vez mais avaliza a visão como detentora dos poderes de conhecimento, crença e validação.

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  • O DESENHO E SUAS COORDENADAS (AULA ABERTA)

    O tema das Coordenadas do Desenhoconteúdo do primeiro vídeo da série “Desenho e Experiência”, foi abordado em uma aula aberta transmitida via streaming, a seguir disponibilizada integralmente. O encontro se divide em uma parte prática, na qual abordamos estritamente materiais expressivos (técnicas secas); e outra teórica, com reflexões daquilo que seria uma “teoria do Desenho”, a partir de conceitos emprestados da psicanálise e das ciências sociais. (mais…)

  • O Desenho e suas coordenadas
    A principal coordenada do Desenho se confunde com a estruturação da própria visão. Porém o “contraste” (elemento central da síntese desenhística) é, no entanto, uma convenção. Código da linguagem visual, o contraste estabelece um acordo entre desenhista e observador – um secular acordo no qual o espectador suspende provisoriamente o juízo e acredita estar vendo volumes no papel: uma tridimensão que este originalmente não possui.

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  • POR QUE A ARTE É INÚTIL (E DEVE PERMANECER ASSIM)?
    Convidado a participar da Conferência online “(a)cessar o Real, que ocorrerá em 30 de Outubro- fiz algumas reflexões sobre a eficácia simbólica da arte no contexto atual, e sua relação com o Real.

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  • [LIVE] “O DESENHO, DE DENTRO PRA FORA”

    Nesta segunda feira (07 de setembro) participo da live “O Desenho, de Dentro pra Fora”  a convite do artista KELVIN KOUBIK (@kelvinkoubik), dentro do Projeto Afluentes. O tema gira em torno da concepção de Desenho como dinâmica que se estrutura de “dentro para fora” – seja em seu aspecto prático/metodológico, seja em sua dimensão de experiência visual. Pretendo abordar também sobre o Desenho no espaço da virtualidade durante o isolamento social, e por fim um pouco de minha trajetória profissional. (A reprise ficará disponível nos stories do perfil, e também neste canal Youtube aqui).

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