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O Desenho e suas coordenadas

A principal coordenada do Desenho se confunde com a estruturação da própria visão. Porém o “contraste” (elemento central da síntese desenhística) é, no entanto, uma convenção. Código da linguagem visual, o contraste estabelece um acordo entre desenhista e observador – um secular acordo no qual o espectador suspende provisoriamente o juízo e acredita estar vendo volumes no papel: uma tridimensão que este originalmente não possui.

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POR QUE A ARTE É INÚTIL (E DEVE PERMANECER ASSIM)?

Convidado a participar da Conferência online “(a)cessar o Real, que ocorrerá em 30 de Outubro- fiz algumas reflexões sobre a eficácia simbólica da arte no contexto atual, e sua relação com o Real.

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NOTAS SOBRE A VIRTUALIDADE: O DESENHO NA PANDEMIA

Todos os objetos da vida material (o mundo das coisas do mundo) circulam numa cadeia cujo fluxo possui uma lógica mensurável, chamada “economia”. Esse fluxo – que são as trocas econômicas, explica inclusive o “modo de pensamento conceitual abstrato” (SOHN-RETHEL, 1987) da vida social, e orbita sob uma única coordenada (ideológica): a função. Até aí, mais do mesmo. O problema, em especial para os artistas, é que, nesse mundo, a estética não encontra lugar – a menos que seja um “diferencial” que potencialize lucro.

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É PRECISO ‘DOM’ PRA SER ARTISTA? (OU MELHOR, EXISTE ‘DOM’?)

 

Artistas considerados “gênios”, portadores de um dom ou talento especial, muitas vezes manifestam, em seu próprio modo de vida, o oposto daquilo que sustenta a “aura” de gênio. Michelangelo, por exemplo – já em vida chamado “il divino”, dizia continuamente: “– Se soubessem o quanto eu trabalho, não achariam que sou grande coisa!”…. Ainda assim, a crença na existência do dom permanece no imaginário.Continuar lendo “É PRECISO ‘DOM’ PRA SER ARTISTA? (OU MELHOR, EXISTE ‘DOM’?)”

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Desenho e produção de afetos: como desativar o fascismo

A representação na arte mobiliza a experiência – esta contundente estratégia que estrutura e é, ao mesmo tempo, estruturada pelo ato poético. Continuar lendo “Desenho e produção de afetos: como desativar o fascismo”

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Desenhos não mediados pela técnica

Os chamados “desenhos feios” – que prefiro chamar de desenhos não mediados pela técnica, têm migrado da esfera pessoal do gosto e parecem hoje disputar estatuto artístico. Neste texto, discuto algumas ideias associadas a esta prática, como “democratização”, “liberdade criativa”, “aquisição de linguagem autônoma” e “inclusão no universo do desenho”.Continuar lendo “Desenhos não mediados pela técnica”

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Desenho como experiência da contemporaneidade | Palestra IFRS/Atelier Livre | PORTO ALEGRE

Ante o acúmulo de imagens que nos atravessa, o olhar pode tanto neutralizar-se para a estesia das formas quanto, em oposição, qualificar a interpretação do mundo imagético. Ou seja, pode tender para a banalização ou para enriquecer-se ante o cenário da contemporaneidade, fortemente mediado pela imagem. O que nos cerca é alheio, até que passe a significar e seja apropriado pela intimidade de nossa língua pessoal.

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HIPER-REALISMO E GÊNERO: TRÊS ARTISTAS BRASILEIROS

Poucos anos atrás comecei um texto sobre a obra do gaúcho Patrick Rigon com uma pergunta que a professora Marilice Corona lhe fez: Quem foi seu mestre? E ele respondeu: “O Youtube”. Isso ainda dá conta de explicar parte da natureza da Figuração Contemporânea, ocupada com a imagem onde quer que ela venha operar seu milagre. Hoje, esse lugar é a tecnologia digital.Continuar lendo “HIPER-REALISMO E GÊNERO: TRÊS ARTISTAS BRASILEIROS”

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TINTA BRUTA: o desenho realista do cinema brasileiro contemporâneo

A tag “cinema realista” parece sempre abrigar filmes violentos, abordagens brutais ou cruas. A impressão não é casual e os adjetivos definem bem a estética realista. Responde também o porque da vida só parecer real diante de algo inesperado: uma paixão, um acidente, uma perda. Justamente quando perdemos as ficções simbólicas que dão ordem à realidade – quando o cotidiano sai do normal, é que podemos ver a vida como ela é. Por quê? Porque a eliminação das coordenadas simbólicas que guiam a experiência nos permite focar a vida em sua brutalidade primitiva, seu Real obsceno. Não é exatamente que a vida “na realidade” é brutal: é que a ausência de ficções só pode revelar uma dimensão traumática.Continuar lendo “TINTA BRUTA: o desenho realista do cinema brasileiro contemporâneo”

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Arte, Desenho, Magia

Morris pode não comunicar ao leitor sua imagem do centauro, nem sequer nos convidar a ter uma, basta-lhe a nossa contínua fé em suas palavras, como no mundo real. [1]
JORGE LUIS BORGES

Toda expressão artística é um ordenamento de forças. A princípio dispersas na cultura, e assim alijadas de significação, são essas forças dotadas de “sentido” e orientação pelo ato poético, o qual então atribui contorno ao ininteligível, presença àquilo que está entre nós, mas ainda não pertence ao mundo humanizado da linguagem. Organizando-as, ou seja, dando-lhes forma, a arte lança as forças pulverizadas da cultura para o interior do jogo simbólico. O Desenho é apenas um dos dispositivos que entretece a malha de significados implicados nessa operação, por meio do que chamamos narrativa.Continuar lendo “Arte, Desenho, Magia”

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Notas para compreender a Figuração Contemporânea

A pintura é uma poesia silenciosa;
a poesia uma pintura que fala.
SIMÔNIDESin Plutarco, em De Gloria Atheniensium (III, 346)

Nesta semana (21), encerra a FIGURATIVA | 1ª Feira de Arte Figurativa em Brasília, promovida pelo espaço Par de Ideias. Assino a curadoria da Feira, e no texto curatorial (aqui) exponho os princípios que regeram nossa escolha – tanto temática, quanto das obras selecionadas. Segue resumo do conteúdo da palestra e do curso que ministrei em Brasília como parte da programação da Feira – o mesmo conteúdo será ministrado em Porto Alegre (17/01 e 14/02/19) no MARGS, e em Florianópolis (março/19) no Sítio Coworking. Nosso desejo é abrir o diálogo em torno dessa produção, compartilhando algumas reflexões acerca desse movimento tão recente no Brasil e no mundo.

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FIGURATIVA: 1ª Feira de figuração contemporânea de Brasília

Não há nenhuma idealização romântica ou inspiração clássica passadista; nenhum saudosismo, nem “desejo de retorno” na figuração presente na arte atual. É arte contemporânea em sua expressão plena – equacionados os preconceitos que reduziam a arte a um debate técnico. Os artistas que hoje recorrem aos elementos da tradição para articular o cotidiano estão interessados em realizar um exercício de escuta, de diálogo, um ensaio vigoroso de alteridade. Escrevi acerca do tema em outros momentos (aqui, aqui e aqui), e neste post transcrevo meu texto de curadoria para a FIGURATIVA – 1ª Feira de Arte Figurativa Par de Ideias. Continuar lendo “FIGURATIVA: 1ª Feira de figuração contemporânea de Brasília”

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O Desenho como experiência visual | Palestra

Compartilhamos aqui uma síntese das reflexões apresentadas nos últimos cursos, organizadas em torno de quatro eixos. Esta conteúdo será ainda tema das próximas palestras nas cidade de Florianópolis, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba (veja cronograma ao final)Continuar lendo “O Desenho como experiência visual | Palestra”

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O Desenho como experiência visual (parte I)

Um antigo mito dá conta de explicar a origem da pintura no mundo clássico. Esse mito assinala uma dimensão intelectiva da prática, sugerindo que uma episteme do fazer manual já estava presente no DNA das artesanias. No capítulo 12 do livro XXV[1] da sua História Natural (77-79), Plínio, o Velho conta a lenda de Cora (filha do oleiro Butades da cidade de Sicião) que risca em uma parede o contorno da sombra de seu namorado, que em breve partiria para o estrangeiro. Butades então modelou em argila a cabeça do genro, tendo como referência o contorno traçado pela filha. Veja na galeria algumas imagens representando essa cena:

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Como desenhar pode ser uma prática subversiva

A cada bloqueio que sofro no Facebook (esta é a quinta vez), minha primeira sensação é de incompreensão. Depois de um mês bloqueado, é impossível não relativizar a importância desta rede social que, vista à distância é bem insignificante mesmo. Porém preciso dela para exercer minha profissão, a qual me leva de tempos em tempos a ser censurado por um algoritmo: sou artista visual e minha temática é a representação do corpo. Além disso, há 15 anos ministro oficinas de desenho da figura humana com modelo vivo: a nudez, portanto, está tão presente em meu trabalho, onde ela é de tal modo naturalizada – que o cinismo da “lógica” dos algoritmos sempre me deixa confuso.

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[LIVE] “O DESENHO, DE DENTRO PRA FORA”

Nesta segunda feira (07 de setembro) participo da live “O Desenho, de Dentro pra Fora”  a convite do artista KELVIN KOUBIK (@kelvinkoubik), dentro do Projeto Afluentes

 

O tema gira em torno da concepção de Desenho como dinâmica que se estrutura de “dentro para fora” – seja em seu aspecto prático/metodológico, seja em sua dimensão de experiência visual. Pretendo abordar também sobre o Desenho no espaço da virtualidade durante o isolamento social, e por fim um pouco de minha trajetória profissional. (A reprise ficará disponível nos stories do perfil, e também neste canal Youtube aqui).

 


 

[LIVE]

“O Desenho, de dentro pra fora” | Segunda, 19h 

Acesse no Instagram pelo perfil: Instagram/kelvinkoubik  

 

Live

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Nesta segunda feira (07 de setembro) participo da live “O Desenho, de Dentro pra Fora”  a convite do artista KELVIN KOUBIK (@kelvinkoubik), dentro do Projeto Afluentes

 

O tema gira em torno da concepção de Desenho como dinâmica que se estrutura de “dentro para fora” – seja em seu aspecto prático/metodológico, seja em sua dimensão de experiência visual. Pretendo abordar também sobre o Desenho no espaço da virtualidade durante o isolamento social, e por fim um pouco de minha trajetória profissional. (A reprise ficará disponível nos stories do perfil, e também neste canal Youtube aqui).

 


 

[LIVE]

“O Desenho, de dentro pra fora” | Segunda, 19h 

Acesse no Instagram pelo perfil: Instagram/kelvinkoubik  

 

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AULA GRATUITA DE ANATOMIA ARTÍSTICA COM CADÁVERES

O estudo in loco de cadáveres tem efeito de despertar o interesse pela figura, tema tão prolífico nas Artes Visuais, além de qualificar a visão do artista. Realizado há séculos para compreensão profunda do corpo humano, o estudo anatômico oferece a percepção correta dos volumes do corpo que garante um bom desenho!

Nesta aula de Anatomia Artística, estudaremos todos músculos de superfície e ossos constituintes do esqueleto, bem como suas principais articulações. Participação gratuita mediante reserva!

 

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