+50 Mulheres na arte: uma atualização

Este 8 de março de 2022 merece uma atualização na listagem de artistas mulheres que elaboramos tempo atrás. É claro que este é apenas breve resumo de um universo incontável de artistas – mas é uma proposta de síntese do que considero a melhor produção pictórica realizada por mulheres na contemporaneidade.

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TEXTO DE CURADORIA | “ÁGUA DE VER”, EXPOSIÇÃO DE MARCOS BECCARI

Última semana para visitação da exposição Olhar Submerso, de MARCOS BECCARI, em exibição da Fundação Cultura de Curitiba. No post, segue nosso texto de curadoria…

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[PROCESSOS POÉTICOS 2ª EDIÇÃO] SEXTA AULA | ÉTICA DAS IMAGENS

Hoje falaremos de poesia. Gostaria que considerassem esta frase do escritor português José Saramago: “Se podes olhar, vê; se podes ver, repara”. A expressão denota um sentido ético intrínseco ao fazer (e ser) poético. O verbo “reparar”, como verbo transitivo, tem origem em reparare = “começar outra vez, preparar novamente”, e todos os seus sinônimos remetem a tal formação latina: r­­e (“outra vez) + parare = “preparar, aprestar”. Outros sinônimos são: renovar; melhorar, retocar, consertar, restaurar, indenizar, restabelecer, compensar[1].

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[PROCESSOS POÉTICOS 2ª EDIÇÃO] QUINTA AULA | A PSICANÁLISE E OS SENTIDOS DA IMAGEM

Falamos da experiência visual que arquitetou a própria inscrição do artista como testemunha da História enunciando, assim o lugar do artista. A esta altura, já distinguimos com maior clareza o que são vivências cotidianas (pelas quais passamos a todo momento no viver), e tal experiência visual – que é a “vivência elaborada”. Anteriormente, também defendemos que a experiência visual, uma vez emulada em procedimentos técnicos (perspectiva e demais operações da linguagem visual), daria conta de “superar”, por assim dizer, paradoxos constitutivos da criação poética, na medida em que situa os processos subjetivos em função da compreensão (até onde é possível) de coordenadas simbólicas, em função das quais a experiência se organiza. Tal compreensão impede a precipitação de estereótipos, deixando emergir uma “percepção” mais “imediata” da experiência que funda o lugar subjetivo do artista – a isso chamamos olhar.

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[PROCESSOS POÉTICOS 2ª EDIÇÃO] SEGUNDA AULA | DESINVENÇÃO DA VISÃO

O tema deste encontro do Processos Poéticos já está em parte no texto da edição anterior do curso, abordando algumas das relações entre olhar e a visão que sustentam a intervenção do artista (seu processo criativo). Este assunto servirá como introdução ao método de “desver”, que no Programa denominamos sob o título A desinvenção da visão.

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[PROCESSOS POÉTICOS 2ª edição] QUARTA AULA | Poéticas da Figuração Contemporânea

O terceiro encontro do Processos Poéticos foi dedicado à apresentação das propostas de trabalho pelos integrantes dessa edição do curso, que a partir de agora receberão orientação individual durante a execução, até o último encontro (quando os trabalhos serão apresentados coletivamente à turma). Neste quarto encontro estudaremos o cenário contemporâneo da figuração artística.  

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[PROCESSOS POÉTICOS 2ª edição] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão

Neste primeiro encontro da 2ª edição do [CURSO] Processos Poéticos, voltaremos a tratar da conceituação de “poética”, considerando a natureza do Desenho a fim de refletir sobre o lugar e a natureza da criação artística.

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[PROCESSOS POÉTICOS] SÉTIMA AULA | MODERNO/PÓS/MODERNO: NOS LIMITES DA ARTE

Este é o último conteúdo teórico do Curso PROCESSOS POÉTICOS, que encerra dia 28/06 com apresentação dos trabalhos práticos desenvolvidos pelos participantes. Reservas para segunda edição (prevista para Agosto de 2021) através do contato no site!

LENNART NILSON, 1965 (primeira fotografia da vida intrauterina de um feto)

A década de 1960 relativizou a dimensão humana em todos os sentidos – talvez tanto quanto o heliocentrismo (teoria que Copérnico publicou em 1543, mais tarde ratificada por Galileu), que retirou a Terra de sua imutabilidade e a fez girar em torno de um sol fixo, junto a bilhões de outros astros. Nos anos 60, viu-se pela primeira vez, as fotos da Terra tiradas pelos astronautas da Apolo 11 (capa do artigo); e também as fotos da vida intrauterina, capturadas por Lennart Nilsson.

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[PROCESSOS POÉTICOS] SEXTA AULA | Síntese e representações

O problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história.

CHIMAMANDA ADICHIE
PHIL HALE “Interpreter” 2008 | óleo sobre tela

O que se costuma chamar de “representação” em arte não é, senão síntese: produto de escolhas deliberadas. A condição representacional é assim, paradoxalmente, a de não emular o real. Ao contrário do sentido redutor de mímesis (onde a “semelhança” com um referente é projetada pelo observador), a Figuração Realista – e isso se poderia dizer de toda forma artística, se constitui de uma “alteração” da realidade com o fim de torná-la verossímil, assimilável. Deste modo é que a arte emula as condições de experiência do sujeito (não a experiência da coisa em si). A percepção opera, de fato por meio de uma seleção anamórfica (logo, imaginária) de identificações que destituem o “real” de sua verdade, registrando-o simbolicamente a fim de se apropriar dele; nesse registro, porém, algo se perde para sempre. O filósofo Baudrillard resumiu bem isso: “Criar uma imagem consiste em ir retirando do objeto todas as suas dimensões, uma a uma: o peso, o relevo, o perfume, a profundidade, o tempo, a continuidade e, é claro, o sentido.”

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[PROCESSOS POÉTICOS] QUINTA AULA | O ato poético

Falamos de um Je e de um moi; agora é a vez das noções de Eu ideal e Ideal de Eu. Ambas figuras desenvolvidas por Freud, e fundamentais ao ato poético no tocante ao sujeito que o experiencia e à dimensão conceitual (o quê fazer), são essas posições do sujeito instituídas em função da imagem.

GUSTAVOT DIAS, “Selfie portrait”, 2018 | carvão e pastel sobre Mi-Teintes (66x50cm)

Eu ideal x Ideal do Eu

O Eu ideal corresponde a uma forma do Narcisismo – um lugar ajustado ao desejo e à expectativa dos pais e da sociedade; em outros termos, àquilo tudo que o “outro espera de nós”. No Eu Ideal – instância imaginária onde a divisão que existe entre o que eu “sinto ser” e a “imagem do que sou” desaparece, e onde nos identificamos completamente com as projeções alheias, respondendo ao que o outro espera – somos objeto que satisfaz a expectativa de alguém (função à qual recorremos na esperança de agradar e fazer cessar a angústia). Já o Ideal do eu (instância do Complexo de Édipo) corresponde a uma superação simbólica do narcisismo primário do Eu ideal – quando já a criança percebe que não é amada pelo que é em si mesma, mas por algum outro valor independente de si.  O Ideal do eu representa aquilo que se deseja no desejo; remete ao que se deve “querer tornar-se”. Ou seja: a busca de um ideal que autorize meu próprio desejo. Sua enunciação se daria através de perguntas como – o que serei e como devo ser? em que lugar subjetivo devo estar? que faço a fim de poder desejar aquilo com que me identifico? Aqui é onde o desejado passa a ser desejante. O Ideal do eu permite a substituição das projeções sobre nossas figuras parentais – de seres superiores e onipotentes, tornam-se então humanos como os demais, e o campo de desejo é substituído por outras instâncias que os representam: professores, mestres, sujeitos sociais que admiramos, etc. A partir dele montamos os ideais reguladores de nosso horizonte ético. Ele permanecerá, no entanto, sempre no futuro do pretérito, indicando um caminho que não será jamais alcançado.

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[PROCESSOS POÉTICOS] QUARTA AULA | Poéticas da Figuração Contemporânea

Apresentamos aqui uma hipótese de interpretação da Figuração Contemporânea, buscando afastá-la da vacuidade do conceito genérico de “pintura contemporânea”. Acreditamos estar em curso um movimento que, pela densidade, quantidade e abrangência, pode vir a definir um momento histórico sui generis. Para outros desenvolvimentos, clique aqui.

ALEX KANEVSKY, “J.W.I. in Her Room”, 2015 |
óleo sobre tela (48′ x 44″)

Levantamos até agora, no curso Processos Poéticos um espectro de conteúdos acerca da experiência – desde o momento em que é estruturada pela perspectiva (método de “representação” instaurador das coordenadas que possibilitaram o sujeito da experiência na arte), até seu uso político-ideológico (com o exemplo maior do programa de política cultural empreendida pela CIA nas décadas de 50/60 em todo o Ocidente). Tudo isso a fim de dialeticamente compreender o sentido da Figuração Contemporânea, uma vez que ela não é representacional. Propomos pensar tal produção como parte de um processo de continuidade com a Arte Moderna, ou seja, como mais um fruto do rompimento com a concepção tradicional que teve início em fins do século XIX.

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[PROCESSOS POÉTICOS] TERCEIRA AULA | As dimensões da imagem

A imagem como constitutiva de processos de subjetivação. Coordenadas simbólicas da experiência. A imagem e o simbólico: breve apresentação dos três registros na psicanálise de Jacques Lacan. A imagem como instituidora de afetos. Por que a Psicanálise hoje representa tantas implicações para a arte e o fazer artístico?

CAROLINE WETERHOUT, “Elastic” (detalhe) | (óleo sobre tela) | Art Gallery AFK, Lisbon

Nessa vida em que sou meu sono, eu não sou meu dono. Quem sou é quem me ignora e vive através desta névoa que sou eu todas as vidas que outrora tive numa só vida.

FERNANDO PESSOA

Na vida cotidiana, nós temos um Eu. Ou melhor, nós simplesmente somos, de maneira intuitiva, natural. Mas o Eu, de fato é uma função complexa, que é construída ao longo da vida através de processos de identificação. Além disso, esse “eu” não é integrado, homogêneo, sempre igual a si mesmo. É a imagem, e em particular a imagem do “eu”, o elemento que unifica tal heterogeneidade da personalidade, e nos entrega a vivência de certa unidade. Veremos que esta unidade é fruto de um enredo ilusório; em que pese a imagem do “eu” ser decisiva na constituição da “função do Eu”. Desde já, a questão toca ao artista visual: o que é uma imagem? Como se dá a experiência visual que consubstancia o ato criativo, de que falamos no Encontro 02?

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[PROCESSOS POÉTICOS] SEGUNDA AULA | Desinvenção da visão: Desenho como Experiência visual (Parte 02)

PARTE II

Continuação do texto “[PROCESSOS POÉTICOS] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão: POÉTICAS (Parte 01)“. Material complementar integrante do conteúdo do curso Processos Poéticos

GOLUCHO, óleo sobre teçla

Antes de seguir com outro importante viés do pensamento de Paul Valéry – o qual versa justamente sobre a destinação da obra, ou seja, o público (definido por ele como “consumidor”), procuraremos escrutinar os diferentes momentos da poiesis. Sendo o público o último elo implicado na complexa dialética do processo criativo (meios/fins, técnica/conceito, ação/recepção), é preciso entender primeiro como a base, o arcabouço ou bastidores da criação (termos do ensaio de Allan Poe) são armados.

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[PROCESSOS POÉTICOS] PRIMEIRA AULA | Desinvenção da visão: POÉTICAS (Parte 01)

Neste primeiro encontro do [CURSO] Processos Poéticos, trataremos da conceituação da “poética”, relacionando as obras de Aristóteles e de Paul Valéry a fim de introduzir a concepção de Desenho como articulador de experiências.

HAMID YARAGHHI, “Spring in Spring”
2017 | óleo sobre tela (190 x 230 cm)

De início, uma diferenciação importante: o significado hoje do termo “Poética” – no Brasil especialmente difundido pelas tantas pós-graduações e linhas de pesquisas em Poéticas Visuais – em nada coincide com a famosa Poética de Aristóteles. Curiosamente, ambas têm um sentido quase que diametralmente oposto: enquanto este último preconiza que o elemento central da poesia é a mímesis (ou seja, a poesia teria pouco a ver com versificação ou sua forma em geral, mas sim com “representação”), já a Poética criada por Paul Valéry se vale da acepção primitiva de poien:

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SINTOMAS DA ERA DA IMAGEM: VOYEURISMO E CEGUEIRA:

Sociedades que atravessam medos endêmicos, invariavelmente apresentam sintomas. Qual será o sintoma do nosso medo, do mal provisório que infesta os ares inaugurais do século XXI, na esteira de uma crise social estrutural? Penso se este não será, talvez o voyeurismo –  uma espécie de “perversão escópica” que nos tornou cegos para outros sentidos, e cada vez mais avaliza a visão como detentora dos poderes de conhecimento, crença e validação.

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