O Desenho como experiência visual | Palestra

Compartilhamos aqui uma síntese das reflexões apresentadas nos últimos cursos, organizadas em torno de quatro eixos. Esta conteúdo será ainda tema das próximas palestras nas cidade de Florianópolis, Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba (veja cronograma ao final)Continuar lendo “O Desenho como experiência visual | Palestra”

O Desenho é o avesso da linha

Tenho ensinado que aprender a desenhar é desapegar-se da linha. O que costuma dar mais trabalho ao professor é o aluno que “já sabe desenhar”, ou seja, que é possuidor de “algum conhecimento” (significando normalmente que já passou por algum curso de desenho) e, portanto está suficientemente viciado por conteúdos técnicos equivocados. O principal deles é a famigerada “linha”. Se quisermos uma relação profunda com o Desenho, é imprescindível desapagar dela: ela estrutura uma série de outros vícios que impedem o avanço da compreensão formal. De fato, é um dos desapegos técnicos mais dolorosos, e o que primeiro se deve empreender.Continuar lendo “O Desenho é o avesso da linha”

Palestra | “Prefiro não fazer: a desinvenção do olhar” (UNESPAR Curitiba)

Palestra na Universidade Estadual do Paraná | UNESPAR, onde o artista GUSTAVOT DIAZ fala sobre os referentes teóricos de seu repertório de trabalho, socializando as opções e incertezas de sua produção plástica e sua prática docente. Entrada franca!Continuar lendo “Palestra | “Prefiro não fazer: a desinvenção do olhar” (UNESPAR Curitiba)”

O Desenho como experiência visual (parte II)

No artigo anterior propus uma compreensão do Desenho como ferramenta capaz de emular coordenadas que efetivam a “experiência”. Essa capacidade garante que a atividade desenhística estabeleça diálogo intersubjetivo (entre o desenhista e o observador) na medida em que opera uma mediação entre a experiência visual do primeiro (quer dizer, a experiência por que passa o desenhista ao desenhar o modelo) e aquela futura, gerada no observador quando este se depara com o desenho finalizado.Continuar lendo “O Desenho como experiência visual (parte II)”

O Desenho como experiência visual (parte I)

Um antigo mito dá conta de explicar a origem da pintura no mundo clássico. Esse mito assinala uma dimensão intelectiva da prática, sugerindo que uma episteme do fazer manual já estava presente no DNA das artesanias. No capítulo 12 do livro XXV[1] da sua História Natural (77-79), Plínio, o Velho conta a lenda de Cora (filha do oleiro Butades da cidade de Sicião) que risca em uma parede o contorno da sombra de seu namorado, que em breve partiria para o estrangeiro. Butades então modelou em argila a cabeça do genro, tendo como referência o contorno traçado pela filha. Veja na galeria algumas imagens representando essa cena:

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Aula gratuita de Anatomia Artística com cadáveres

O estudo in loco de cadáveres, realizado há séculos para compreensão profunda do corpo humano, tem efeito de despertar o interesse pela figura, tema tão prolífico nas Artes Visuais, além de qualificar a visão do artista. A percepção correta dos volumes do corpo que garante um bom desenho, depende em boa medida do conhecimento anatômico.Continuar lendo “Aula gratuita de Anatomia Artística com cadáveres”

15 de Abril: Dia Mundial do Desenhista

O que é um “desenho de qualidade”? Para responder, consideraremos que, em primeiro lugar não vemos um Desenho – ele é quem vê por nós. Desenho é tudo aquilo que nos faz ver. Continuar lendo “15 de Abril: Dia Mundial do Desenhista”

50 artistas contemporâneas que redimensionam o lugar da mulher na arte hoje

Dedico esse post à artista Ise Feijó, como incentivo a sua produção
 (não é uma montanha, mas é uma prova de amor)…

Os problemas que surgem quando nomeamos certa produção como “arte de mulheres”, “arte feminina” ou “feminista” revelam a colonização e os limites de nossa própria língua. Afinal, são as lacunas da linguagem os traços mais sintomáticos do modo como concebemos (ou deixamos de conceber) as coisas. Por que não temos uma “arte de homens” (ou essa é a única que existe)? Nem é preciso dizer que a História da Arte, como a conhecemos, é uma construção machista. Porém, quando a produção contemporânea realizada por mulheres é posta em perspectiva, assume um protagonismo sem precedentes. E esse quadro tende a alterar o eixo patriarcal da história.Continuar lendo “50 artistas contemporâneas que redimensionam o lugar da mulher na arte hoje”

AULA GRATUITA DE ANATOMIA ARTÍSTICA COM CADÁVERES

O estudo in loco em cadáveres, realizado há séculos para compreensão profunda do corpo humano, tem efeito de despertar o interesse pela figura, tema tão prolífico nas Artes Visuais, além de qualificar a visão do artista. A percepção correta dos volumes do corpo depende em certa medida do conhecimento anatômico. Nesta aula de Anatomia Artística, estudaremos todos músculos de superfície e ossos constituintes do esqueleto, bem como suas principais articulações. Leia as instruções abaixo…

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Os artistas e a Anatomia

Recentemente o artista italiano Nuncio Paci criou uma série de trabalhos dedicados ao Barroco, no seu estilo bem próprio onde expõe o corpo “vivisseccionado”. A Anatomia é parte essencial do repertório do artista, sendo tematizada em sua obra como um elemento estético.Continuar lendo “Os artistas e a Anatomia”

Como desenhar pode ser uma prática subversiva

A cada bloqueio que sofro no Facebook (esta é a quinta vez), minha primeira sensação é de incompreensão. Depois de um mês bloqueado, é impossível não relativizar a importância desta rede social que, vista à distância é bem insignificante mesmo. Porém preciso dela para exercer minha profissão, a qual me leva de tempos em tempos a ser censurado por um algoritmo: sou artista visual e minha temática é a representação do corpo. Além disso, há 15 anos ministro oficinas de desenho da figura humana com modelo vivo: a nudez, portanto, está tão presente em meu trabalho, onde ela é de tal modo naturalizada – que o cinismo da “lógica” dos algoritmos sempre me deixa confuso.

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O lugar da experiência na arte

GRZEGORZ GWIAZDA,
GRZEGORZ GWIAZDA, “Heretic” (bronze)

“É no simbólico que o desejo se engatilha”. Este enunciado, que remete à psicanálise de Lacan, revela o seguinte: o mundo da linguagem é onde o desejo toma forma. Sem imagem, nossos anseios, medos e percepções não encontram recursos de auto-expressão: deixam de ser elaborados formalmente. Quer dizer que a experiência não se processa, senão por meio da “narrativa” ou registro no universo simbólico. Feito o registro, a experiência pode funcionar como moeda de troca social, pode ser compartilhada, pode se realizar enquanto experiência factual. Para o desenhista, este saber é essencial.Continuar lendo “O lugar da experiência na arte”

O QUE O DESENHO ME ENSINA | Reflexões sobre a Prática do Desenho

 

Este é o vídeo piloto da nova série onde procuramos extrair da prática desenhística saberes para além de conteúdos técnicos do Desenho. Desapego, resiliência, alteridade, criatividade e auto-análise são alguns dos elementos que investigaremos, sempre em torno das lições que aprendemos desenhando.

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FIGURA CONTEMPORÂNEA: A IMAGEM HOJE

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CHUCK CLOSE | “Frank” (acrílico sobre tela), 1969

O lugar da representação

Uma questão que deve ser permanentemente pautada na reflexão artística contemporânea, com especial interesse à fotografia é, sem dúvida, a da representação. Quando parece estar equacionada, volta à tona na próxima Bienal ou no próximo salão do MEAM. Não basta conhecermos a desagregação do sistema de representação que teve lugar no final do século XIX, seguida de experimentações e rearticulações dos padrões normativos da arte. A questão, colocada para os artistas do último século, chega também para nós; as respostas dadas no passado devem ser transformadas em novas interrogações, pois ainda hoje apresentam sérios desafios para fotógrafos e produtores de imagens em geral. Enquanto a geração de Marcel Duchamp e dos dadaístas era asfixiada pelo ambiente academicista e respirava uma modernidade que acabava de se abrir à especulação, a geração presente encontra ambiente totalmente diverso, à luz da experiência desconstrutivista pós-moderna. Creio que todo artista deve ao menos tentar elaborar em seu trabalho pessoal qual o “lugar” que nele assume a representação.Continuar lendo “FIGURA CONTEMPORÂNEA: A IMAGEM HOJE”

OUTRAS RELAÇÕES ENTRE FOTOGRAFIA E ARTE (Parte II)

VIVIAN MAIER
VIVIAN MAIER

O esforço é grande, o homem é pequeno.
Eu, Diogo cão, navegador deixei este padrão
Aos pés do areal moreno, e para diante naveguei…
FERNANDO PESSOA

É fácil se apropriar de novos conhecimentos… Difícil é desapegar-se de velhos hábitos! Um hábito adquirido é um vício: uma repetição do caminho inicial que leva ao prazer e nos mantem na ilusória zona de conforto. O destino dos produtores de imagem, porém é justamente o da insubmissão, da rebeldia do olhar que entrevê o avesso do cotidiano e arrisca, no espaço metafórico da representação, criar o novo.Continuar lendo “OUTRAS RELAÇÕES ENTRE FOTOGRAFIA E ARTE (Parte II)”