GUSTAVOT DIAZ

poética, corpo e experiência

  • DIA MUNDIAL DO DESENHISTA
    Annemarie Busscher9
    ANNEMARIE BUSSCHERS (2011) | “Beyond grief II (Self Portrait XII)”, técnica mista, 160 x120 cm

    O Dia Mundial do Desenhista (15 de Abril) é propício para homenagear a coragem desses 11 profissionais que aceitaram o desafio de 1) serem artistas e 2) serem artistas “realistas”. Todos eles utilizam técnicas tradicionais, mas estão longe de posarem de antiquados, retrógrados ou saudosistas.

    Pelo contrário, estão muito bem sintonizados às questões contemporâneas: assimilam em seus trabalhos – cujo temática central é a figura humana – dimensões políticas, culturais, sociológicas, psíquicas, etc, e descobriram que o preconceito contra o passado artístico e o descarte da tradição não os torna “modernos”; muito menos “contemporâneos”. Todos eles entenderam a legenda de Ezra Pound: “– Make it new!”, e ressignificam a tradição artística e o legado dos mestres do passado todos os dias…

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  • PEQUENO HISTÓRICO DA ANATOMIA ARTÍSTICA
     

    Anatomia: do latim tardio, anatomia; do grego, anatomê/ês:  incisão, dissecação de alto a baixo. Compósito de “ana”: de alto a baixo e “tomê”, corte, incisão. (Termo atribuído tradicionalmente a Teofrasto, um dos discípulos de Aristóteles, no século IV a.C.)

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  • A DIFERENÇA ENTRE “COPIAR”, “COLAR” E “CRIAR”

    O que possibilita participação ativa na esfera da arte é o saber das linguagens. O conhecimento dos códigos constitutivos das categorias artísticas permite uma apreciação qualificada; mas há sempre algo que escapa, mesmo ao melhor crítico, ainda ao diletante mais perspicaz: o interior da técnica. Claro, saber “ler” um desenho a carvão não é o mesmo que saber “desenhar” com este material – o expectador de um desenho estará sempre “de fora”, como se visse um espelho da coisa, com o qual não pudesse interagir.

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  • O “CORPO HUMANO NA ARTE”: COMO (E POR QUE) DESENHAR? (II)

    O essencial é saber ver.
    Saber ver sem estar a pensar,
    Saber ver quando se vê,
    E nem pensar quando se vê,
    Nem ver quando se pensa.
    Álvaro de Campos

    Toda técnica do desenho, em seu sentido pragmático, está contida nos próprios materiais expressivos e só se é possível realizar seu objetivo expressivo através do uso adequado destes materiais. Por exemplo, a maneira como eu aponto meu lápis – início indispensável do qual toda a prática depende – determina minha postura diante do suporte. E este, por sua vez, é condicionado à escolha do lápis.

    Fábio Magalhães  Onde moram os Devaneios Óleo sobre tela  210 x 230 cm 2013
    Fábio Magalhães, “Onde moram os devaneios” | óleo sobre tela, 2013

    Mas o fato é que muitos desenhistas têm uma preocupação excessiva, quase obsessiva com a técnica em si mesma; e a arte não está aí.   (mais…)

  • Desenhos do Corpo | EXPOSIÇÃO

    As primeiras reuniões de artistas no cinquecento, em Florença – que redundariam na primeira Academia, tinham um objetivo comum: o desenho dal nudo ou dal naturale. O que os italianos chamam hoje dal vero, ou desenho de modelo vivo, era o fundamento da educação artística até o século XIX. As Academias brasileiras, contudo, derivaram do modelo francês constituído em meados do XVII.

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  • O CORPO HUMANO NA ARTE: COMO (E POR QUE) DESENHAR?

    Nunca aprendi a existir.
    Fernando Pessoa

    A diferença entre a articulação processual chamada “técnica” e a estruturação “tecnológica”, é que enquanto, a primeira repete procedimentos metodológicos já avaliados, a segunda demanda a criação de novos saberes a fim de desenvolver-se (e desenvolve-se justamente na medida em que cria esses saberes). O exemplo mais claro disso é o telescópio – criado nos Países Baixos e elaborado por Galileu Galilei. No instante em que este cientista alterou seu uso comum, executando um gesto que iria revolucionar não apenas a ciência, mas a concepção da humanidade sobre si mesma ao girar o telescópio em 90º a fim de investigar as estrelas – o telescópio imediatamente passou a demandar novas técnicas para aperfeiçoamento da lente, o que deu início a novos estudos em Ótica e Astronomia e ciência em geral. Como sabemos, as observações de Galileu forneceram, entre outros, evidências da rotação da Terra. O telescópio é assim literalmente um aglutinado de observações que geram novas possibilidades de observação e perspectivas; essas retroativamente alimentam e alteram o uso do próprio telescópio. (mais…)

  • Figura Contemporânea | Retrato

    Dentre as expressões artísticas, o Retrato é, sem dúvida, a mais icônica. Utilizado por metonímia como sinônimo de “representação”, já no período anterior à era imperial, os romanos cultivavam na retratística um impressionante realismo. Este fato constitui um curioso “anacronismo”, se supormos que o ferramental e a disposição subjetiva realistas tenham se dado apenas a partir das condições criadas no Renascimento, ou apenas no século XIX (conforme aprendemos com Erich Auerbach). Porém, escritores da antiguidade já dedicariam estudos ao tema, tamanha era a autoconsciência do significado do Retrato – tanto na esfera pública, quanto privada. Essa pregnância temática garante-lhe autonomia de categoria plena dentre as expressões artísticas, e assim como o “nu” – o Retrato pode também ser considerado uma “forma mesmo de arte” (vide Kenneth Clark). (mais…)

  • FIGURA CONTEMPORÂNEA:  A técnica do desenho e a ressignificação Hiper-realista (Parte II)
    CHRISTOPHER STOTT | "Dream Days" (óleo sobre tela, 14' x 18')
    CHRISTOPHER STOTT | “Dream Days” (óleo sobre tela, 14′ x 18′)

    Segunda parte do conteúdo a ser ministrado na Oficina
    “FIGURA CONTEMPORÂNEA:  Técnicas tradicionais e Hiper-realismo” (Florianópolis | 23, 24 e 25 de Fevereiro | 2016)

    Uma crença bastante comum é a de que o desenho seria fruto da introspecção do artista – uma suposta “imersão às profundezas de si mesmo”. Por conta de ilusões românticas assim, são necessárias novas formulações acerca do tema. Essa abstrata “imersão” de que se fala, e mesmo esse “si mesmo”, não são na realidade elementos dados; são representações. Não há um “si mesmo”, e se houvesse, seria um esforço humano por natureza – que é nossa constante defesa psíquica contra à existência. Vladmir Safatle desenvolve de forma brilhante esse último tema. (mais…)