Arquivo da tag: Desenho Realista

DESENHO ANATÔMICO: O CORPO DESVENDADO

GERAR DE LAIRESSE | Ilustração para o Tratado de Bodloo “Medicinae Doctoris & Chirurgi, Anatomia Hvmani Corporis” (1685)
GERAR DE LAIRESSE | Ilustração para o Tratado de Bodloo “Medicinae Doctoris & Chirurgi, Anatomia Hvmani Corporis” (1685)

Sem saber não é possível enxergar. Até que eu indique ao aprendiz a “luz refletida” dentro da “sombra própria” de um objeto, ele não a percebe; até que conheça a existência da clavícula no retrato de perfil, o desenhista não a vê. É necessário saber, conhecer as formas para que a visão se habilite… Depois disso, é necessário esquecer o que se sabe, para enfim desenhar. Continuar lendo DESENHO ANATÔMICO: O CORPO DESVENDADO

Desenho: a diferença entre “copiar”, “colar” e “criar”

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MARK SIJAN | escultura

O que possibilita participação ativa na esfera da arte é o saber das linguagens. O conhecimento dos códigos constitutivos das categorias artísticas permite uma apreciação qualificada; mas há sempre algo que escapa, mesmo ao melhor crítico, ainda ao diletante mais perspicaz: o interior da técnica. Claro, saber “ler” um desenho a carvão não é o mesmo que saber “desenhar” com este material – o expectador de um desenho estará sempre “de fora”, como se visse um espelho da coisa, com o qual não pudesse interagir.

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FIGURA CONTEMPORÂNEA: A técnica do desenho e a ressignificação do Hiper-realismo

RÓMULO CÉLDRAN | lápis e tinta acrílica sobre tela (122 x 192 cm, 2013)
RÓMULO CÉLDRAN | lápis e tinta acrílica sobre tela (122 x 192 cm, 2013)

Primeira parte do conteúdo a ser ministrado na Oficina“FIGURA CONTEMPORÂNEA:  Técnicas tradicionais e Hiper-realismo” (Florianópolis | 23, 24 e 25 de Fevereiro | 2016)

A expressão é o que possibilita a existência – é sua plataforma constitutiva e fundacional. Logo que expresso, passo a existir, uma vez que minha existência é “informada”, posta na fôrma da linguagem, tornando-se inteligível. Freud afirmava que o ser se “humaniza” quando nasce para a linguagem. Essa declaração, elaborada mais profundamente por Jacques Lacan, pode ser resumida do seguinte modo: o processo de humanização do ser falante se caracteriza pela inscrição no mundo dos símbolos. Lacan conceitua um elemento de auxílio no reconhecimento da relação do ser com ele mesmo e com os demais: o “Estádio do espelho”. Ao ver a totalidade de seu corpo refletida na imagem do espelho, o ser é capaz de apreender sua forma – que antes se confundia com o corpo do mundo, e diferenciar-se dele, apropriar-se, possuir a si próprio. É através desse processo de reconhecimento da imagem que se dá a constituição do “eu”; é através dele (e do olhar do outro) que a existência do sujeito se manifesta. Continuar lendo FIGURA CONTEMPORÂNEA: A técnica do desenho e a ressignificação do Hiper-realismo

DESENHO: A coisa sem conceito (Parte 2)

O pintor que traduz por prática e julgamento dos olhos, sem raciocínio, é como o espelho onde se imitam as coisas mais opostas sem conhecimento da sua essência.

Leonardo da Vinci (Atl. 76 r.a.)

No post anterior dissemos que a única “língua” capaz de vocalizar o desenho Realista é o escalonamento de valores tonais – ou seja, os dégradés que criam coordenadas de volume no plano bidimensional do papel. Com o volume, porém, podemos criar uma terceira e também uma quarta dimensão: o tempo. Continuar lendo DESENHO: A coisa sem conceito (Parte 2)