Ante o acúmulo de imagens que nos atravessa, o olhar pode tanto neutralizar-se para a estesia das formas quanto, em oposição, qualificar a interpretação do mundo imagético. Ou seja, pode tender para a banalização ou para enriquecer-se ante o cenário da contemporaneidade, fortemente mediado pela imagem. O que nos cerca é alheio, até que passe a significar e seja apropriado pela intimidade de nossa língua pessoal.
GUSTAVOT DIAZ
poética, corpo e experiência
about
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Poucos anos atrás comecei um texto sobre a obra do gaúcho Patrick Rigon com uma pergunta que a professora Marilice Corona lhe fez: Quem foi seu mestre? E ele respondeu: “O Youtube”. Isso ainda dá conta de explicar parte da natureza da Figuração Contemporânea, ocupada com a imagem onde quer que ela venha operar seu milagre. Hoje, esse lugar é a tecnologia digital. (mais…)
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A tag “cinema realista” parece sempre abrigar filmes violentos, abordagens brutais ou cruas. A impressão não é casual e os adjetivos definem bem a estética realista. Responde também o porque da vida só parecer real diante de algo inesperado: uma paixão, um acidente, uma perda. Justamente quando perdemos as ficções simbólicas que dão ordem à realidade – quando o cotidiano sai do normal, é que podemos ver a vida como ela é. Por quê? Porque a eliminação das coordenadas simbólicas que guiam a experiência nos permite focar a vida em sua brutalidade primitiva, seu Real obsceno. Não é exatamente que a vida “na realidade” é brutal: é que a ausência de ficções só pode revelar uma dimensão traumática. (mais…)
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Morris pode não comunicar ao leitor sua imagem do centauro, nem sequer nos convidar a ter uma, basta-lhe a nossa contínua fé em suas palavras, como no mundo real. [1]
JORGE LUIS BORGES
Toda expressão artística é um ordenamento de forças. A princípio dispersas na cultura, e assim alijadas de significação, são essas forças dotadas de “sentido” e orientação pelo ato poético, o qual então atribui contorno ao ininteligível, presença àquilo que está entre nós, mas ainda não pertence ao mundo humanizado da linguagem. Organizando-as, ou seja, dando-lhes forma, a arte lança as forças pulverizadas da cultura para o interior do jogo simbólico. O Desenho é apenas um dos dispositivos que entretece a malha de significados implicados nessa operação, por meio do que chamamos narrativa. (mais…)
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A pintura é uma poesia silenciosa;
a poesia uma pintura que fala.SIMÔNIDES, in Plutarco, em De Gloria Atheniensium (III, 346)
Nesta semana (21), encerra a FIGURATIVA | 1ª Feira de Arte Figurativa em Brasília, promovida pelo espaço Par de Ideias. Assino a curadoria da Feira, e no texto curatorial (aqui) exponho os princípios que regeram nossa escolha – tanto temática, quanto das obras selecionadas. Segue resumo do conteúdo da palestra e do curso que ministrei em Brasília como parte da programação da Feira – o mesmo conteúdo será ministrado em Porto Alegre (17/01 e 14/02/19) no MARGS, e em Florianópolis (março/19) no Sítio Coworking. Nosso desejo é abrir o diálogo em torno dessa produção, compartilhando algumas reflexões acerca desse movimento tão recente no Brasil e no mundo.
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O Curso Figura Contemporânea em Curitiba inicia em 15 de novembro com uma palestra gratuita, aberta ao público no horário das 19h às 21h. A palestra integra o Programa do curso, cujas inscrições continuam abertas, agora com valor promocional e 1 mês de desenho com modelo vivo como cortesia. O objetivo é uma abordagem profunda ao Desenho do corpo, aliando a teoria do Desenho à técnica de construção da figura. São 3 dias de workshop com GUSTAVOT DIAZ (PoA), seguidos de mais 2 dias de orientação técnica detalhada com os artistas ÉLIO CHAVES e FILIPE ANDRADE, coordenadores do PRÁXIS. Consulte o conteúdo completo AQUI! (mais…)
