GUSTAVOT DIAZ

poética, corpo e experiência

  • O constante e o diverso na produção de MARIA TOMASELLI

    A imensa, diversificada e, no melhor sentido da palavra, caótica produção de MARIA TOMASELLI reage ao enquadre curatorial contemporâneo que em geral privilegia uma narrativa, um discurso poético-conceitual específico, uma categoria de linguagem: é no caos que essa artista gaúcha se encontra; na variedade, tanto de forma quanto de categorias, seu trabalho produz unidade.

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  • [labPROCESSOS] lab#1: “O tempo das imagens”

    A imagem é uma extraordinária “montagem”

    – não histórica – de tempo”

    (Didi-Hubermann, 2000, p. 16)

    O objetivo do labPROCESSOS é a criação de um espaço de debate permanente – para além das edições do curso Processos Poéticos, que ofereça continuidade de estudo aos participantes. O que segue é um resumo do conteúdo do primeiro encontro – lab#1, que ocorreu em 01/10/22. A segunda edição será em 03 de dezembro. (Os vídeos gravados com os encontros na íntegra podem ser adquiridos, vide informações ao final)
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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] “MÓDULO 3”: PRIMEIRA AULA | NARRAÇÃO FIGURADA E IMAGEM NARRATIVA

    “Por mais evidente que pareça ser seu “grau de similitude”, uma pintura realista é necessariamente convencional. O manejo das cores, por exemplo, passa pela consciência de que não se trata de cor vista (que é luz, não pigmento), da mesma forma que uma palavra não se assemelha, visual ou foneticamente, ao que ela designa. Toda semelhança é arbitrária. E a pintura começa quando deixamos de ver semelhanças e passamos a ver acidentes, algo como uma gota que, ao escorrer no papel, faz alusão a uma silhueta, um rosto, uma flor. É assim que uma pintura se torna realista, mas vê-se com clareza que ela não o é desde o início, que a figuração é apenas um resultado possível. Tal resultado, por sua vez, depende uma eventual narrativa, exatamente como os borrões de tinta devem ser lidos nos testes de Rorschach: conta-se não o que se vê, mas o que parece se passar no plano pictórico e o que se supõe ocorrer nos olhos de quem o observa.

    MARCOS BECCARI. In. Antirrealismo: uma breve história das aparências. Curitiba: Kindle Direct Publishing, 2019, p. 6-7.)
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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] “MÓDULO 2”: SEGUNDA E TERCEIRA AULAS | ONDE SE RELACIONAM ARTE E PSICANÁLISE?

    Vimos como a psicanálise confere uma constituição radicalmente diferente à “realidade” daquela enunciada pela filosofia e pela ciência até então. Se for compreendida por meio de três registros estruturantes – Real, simbólico e imaginário, ela se torna operativa e sua interpretação mais eficiente. Trazemos alguém mais qualificado para reforçar essa caracterização:

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] “MÓDULO 2”: PRIMEIRA AULA | PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO

    No primeiro encontro do Módulo 2, cujo conteúdo ora compartilhamos, preferimos abordar diretamente alguns dos conceitos centrais da psicanálise – será mais útil ter noção do que seja essa área do saber, para então mensurar sua contribuição à arte e a natureza de suas implicações mútuas. Durante as quatro horas do encontro discorremos acerca dos registros Real, simbólico e imaginário, e sobre algumas relações entre as teorias de Lacan e Freud. No segundo encontro falaremos do Estádio do espelho – articulação central na constituição do sujeito, que Lacan faz coincidir com o reconhecimento da dimensão da imagem.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] TERCEIRA E QUARTA AULAS | DESVER: A EXPERIÊNCIA VISUAL
  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] SEGUNDA AULA | AS DIMENSÕES DA IMAGEM

    Iniciamos falando do “autorizar-se” como artista; agora alguns apontamentos acerca da recepção e crítica da produção se faz necessário – a começar por um pressuposto básico: elogios estragam o artista.

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  • [PROCESSOS POÉTICOS 4ª ED] PRIMEIRA AULA (parte II) | DESINVENÇÃO DA VISÃO

    Ao final do último artigo, falamos que somente o desejo do artista é capaz de o manter em atividade. Reforça essa noção o fato de que a arte é um trabalho sem finalidade, o qual não possui utilidade per si em um sistema de circulação de mercadorias. Num contexto de “realismo capitalista[1]”, todas as atividades possuem um único vetor: a instrumentalização em favor de lucro. É precisamente aí que a arte desempenha função fundamental, uma função estratégica mesmo do processo civilizacional. Suas operações são invisíveis, entretanto, porque são pressupostas – quer dizer, a arte sempre entrega seus efeitos e esconde seus processos. Ao redor de nós, ela organiza e “cultiva” por todos os lados as formas do mundo: em cada detalhe o trabalho de um artista, um designer, um arquiteto, etc. está oculto, alienado em cada objeto (como em geral o trabalho está oculto em seus produtos).

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