Arquivo da tag: arte contemporânea

Desenho como “síntese” e “desinvenção”

DIEGO FAZIO, “Informazioni” 2013 |
Matita e aquarela sobre papel

De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
(Fernando Pessoa,  “De quem é o olhar” | 1917)

Certa vez, quando Einstein atravessava um parque, indagou a um transeunte que passava: “Com licença, cavalheiro, poderia me dizer se eu vim da direita ou da esquerda?” O homem, intrigado, respondeu: “Ora, o senhor veio da direita…” – ao que Einstein responde: “Ah sim, então já almocei! Obrigado…” A história, tirada de uma biografia de Einstein, é verdadeira e deve dar conta do nível de abstração em que vivia; mas chama atenção também para um detalhe: o físico que explicou as relações entre espaço e tempo era incapaz de perceber a realidade mais prosaica a sua frente. Em conexão com o poema secular de Pessoa – que questiona quem “vê por nós” enquanto pensamos – a distração desses homens de gênio expõe uma problemática central do desenho: quando pensamos, não estamos vendo.

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GOTTFRIED HELNWEIN: O perverso hiper-real

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GOTTFRIED HELNWEIN  | The Disasters of War 28 | Óleo e acrílica sobre tela (2011)

Na era em que a reprodutibilidade técnica sofre enorme impacto das novas tecnologias de manipulação e reprodução em tempo real da imagem, e em que as derivações da arte Conceitual possuem hegemonia nos circuitos mainstream, o que menos se esperava era o retorno das técnicas pictóricas tradicionais, com uma potência  muito maior. Ou talvez se trate de uma relação causal: a saturação mesmo de uma arte asséptica e teórica (ou o esgotamento dela), suscitou uma reação oposta e visceral. Curiosamente, na década de 60 ocorre um movimento semelhante nas artes plásticas: a ascensão do Foto-realismo (ou primeiro Hiper-realismo) fora uma resposta à Arte Minimalista então em voga nos Estados Unidos. 

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