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O Permanente Paradoxo do Desenho

O desenho é, antes de tudo, experiência visual. Enquanto experiência necessita ser “simbolizado”, formulado em termos de linguagem. Embora seja ele o próprio ato e ação de simbolização, de formulação linguística (é através do desenho que simbolizo um trauma, por exemplo), o desenho é em si também uma percepção específica, com seu repertório particular de coordenadas: os elementos da linguagem visual (ponto, linha, reta, cor, etc).

Heinrich Wölfflin (1864-1945) percebeu, com uma intuição notável, os resultados desta aplicação em sua caracterização dos estilos linearpictórico. Em síntese, ele conjuga numa esquematização de princípios toda arte ocidental como subordinada a uma dessas categorias estilísticas. A “arte linear” baseia-se no desenho, na proporcionalidade, na linha e na dimensão harmônica; a “pictórica” baseia-se na cor, na gravidade, na ambientação, no arrebatamento emocional. Citaremos exemplos práticos mais adiante. Em outra obra*, Wölfflin analisa a origem dos estilos, com um estudo do surgimento do Barroco a partir da desagregação da Renascença que ajuda a compreender bastante essa oposição. Como nossa contribuição, escrevemos algumas linhas sobre o assunto.

Hippolyte Flandrin, "Jovem nu sentado" (1855)
Hippolyte Flandrin, “Jovem nu sentado” (1855)

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